Famílias do MST desocupam área da ‘Fazenda do Estado’ em Pinda
Justiça responsabilizou movimentos por aumento da violência no campo


Famílias no início da ocupação na área do Estado em Pindamonhangaba
Divulgação/MST
As 60 famílias que ocupavam cerca de 350 hectares da “Fazendo do Estado”, desde o dia 21 de agosto, saíram do acampamento na noite desta quinta-feira (31). A decisão foi da Primeira Vara Cível de Pindamonhangaba, que responsabilizou os assentamentos de movimentos socais como parte do aumento de violência no campo.
Segundo a diretora regional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Suelyn da Luz de 31 anos, a saída foi antecipada após serem informada de uma possível ação policial, mesmo após conversas com representates do Estado.
“Após iniciar o diálogo com o Governo Estadual para implantação de um assentamento agroecológico, a APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), atual responsável pela área, entrou com o pedido de despejo das famílias, que seria cumprido pela polícia militar na manhã dessa sexta-feira (1º)”, declara em nota.
O Governo do Estado já havia se manifestado anteriormente que repudiava qualquer invasão de terra, e que respeitava os movimentos sociais mantendo sempre o diálogo.
“A ocupação ilegal não será tolerada. O Estado tem vários programas de apoio à agricultura familiar e tem dialogado sempre com movimentos reivindicatórios”, disse o Governo em nota enviada em agosto.
A Polícia Militar informa que a saída ocorreu de forma pacífica, sem necessidade de intervenção ou alguma operação por parte das equipes entre a noite de quinta e a manhã desta sexta.
Decisão Judicial
O MST declara, que no documento que determinava o fim da ocupação, as famílias assentadas estão sendo acusadas de responsáveis pelos crimes no campo, mesmo após ter sido solicitado reuniões.
“Com o apoio da ABRA (Associação Brasileira de Reforma Agrária), de parlamentares e de advogados/as populares foi solicitada a realização de uma audiência de conciliação, a fim de debater o projeto do MST para a área e evitar conflitos. Além de negar o direito à audiência de conciliação, a juíza da 1ª Vara Cível de Pindamonhangaba culpabilizou as famílias trabalhadoras rurais pelo crescente aumento da violência no campo”, afirma o movimento
Em nota, o MST declarou que “repudia a tentativa de criminalização dos movimentos sociais por parte do poder judiciário e segue na luta pela reversão da privatização das terras públicas ociosas para fins de reforma agrária”.
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