Figueira em São José é cortada neste domingo; MP autorizou a retirada

Nova figueira será plantada no local; árvore da Praça Cônego Lima deve ser cortada nesta semana

Escrito por: Rodrigo Fernandes4 min de leitura
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Corte de Figueira / Praça Dom Bosco (Beto Faria/PMSJC)

Funcionário realiza o corte da figueira centenária

Beto Faria / PMSJC

Uma figueira centenária localizada na Praça Dom Bosco foi cortada na manhã deste domingo (4) em São José dos Campos. Os trabalhos foram encerrados por volta das 16h. O trânsito na Avenida João Guilhermino que dá acesso a Praça permaneceu interditado durante toda a ação.

Cerca de dez funcionários de uma empresa terceirizada, que já presta serviço a prefeitura, trabalharam no local.

O corte aconteceu após autorização do Ministério Público e de outros dois laudos apontando riscos à população e a impossibilidade de recuperação da figueira.

Em contrapartida, o Ministério Público solicitou a prefeitura que efetuasse o colhimento de dez mudas de cada árvore cortada para que sejam mantidas em viveiro, além do plantio de outras 90 mudas em locais próximos.

Dessas novas mudas, 40 serão plantadas nesta quarta-feira (7) no Parque Ribeirão vermelho no Urbanova, região oeste da cidade.

Nos próximos dias, a Prefeitura realizará a destoca (quando é retirada a raiz após o corte da árvore) e a troca da terra do local, que está contaminada por fungos.

Figueira centenária e exótica

A figueira cortada na Praça Dom Bosco é de uma espécie vinda da Malásia chamada de “Ficus benjamina”.

Considerada exótica, a figueira sempre causa transtornos ao ser plantada em locais de grande circulação nas cidades justamente pelo fato de suas raízes causarem danos a calçadas, muros e tubulações de esgoto e a copas serem grandes ao ponto de chegarem a 30 metros de altura.

A figueira cortada em São José dos Campos tinha 16 metros.

De acordo com a prefeitura, a espécie da figueira que será plantada no local (“Ficus pohliana”), é nativa do Brasil e uma de suas características é o fato de seus galhos não se expandirem da forma como ocorria com a figueira cortada. A expectativa é de que a árvore recomponha a paisagem da Praça Dom Bosco em cerca de 10 anos.

Laudos emitidos

Laudos técnicos da Secretaria de Manutenção da Cidade e do Instituto Florestal de São Paulo apontaram a impossibilidade de recuperação tanto da figueira localizada na Praça Dom Bosco quanto da outra árvore centenária localizada na Praça Cônego Lima.

Técnicos do CAEx (Centro de Apoio Técnico à Execução) do Ministério Público também reforçaram o estado precário e o envelhecimento de ambas as árvores. Os técnicos do MP realizaram uma vistoria no local no último dia 2 de junho e autorizaram o corte das duas figueiras.

A árvore da Praça Cônego Lima ainda não tem prazo para ser cortada, mas a expectativa é de que já acontece no próximo domingo (11) ou no feriado de 15 de novembro, de acordo com a prefeitura.

Entre os problemas encontrados em ambas as árvores estariam o apodrecimento de galhos, provocado pela presença de fungos, e a distribuição irregular do peso da copa da figueira, que pode provocar a queda da árvore em casos de chuvas e ventanias fortes.

Figueira Praça Conego Lima

Figueira localizada na Praça Cônego Lima também será cortada

Reprodução / Street View

Impasse entre ambientalistas

Tombada pelo Comphac (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico, Paisagístico e Cultural), o corte das figueiras foi autorizada pelo Comam (Conselho Municipal de Meio ambiente) de São José dos Campos.

Em reunião, os membros do Conselho concluíram que o corte era necessário. “Diante dos três laudos que foram apresentados ficou claro que não existia uma alternativa viável. Todas as possibilidades de recuperar as figueiras foram apresentadas”, disse o presidente do Conselho, Lincoln Delgado.

“Queremos que a prefeitura nos entregue relatórios semestrais sobre as condições de cada árvore tombada pelo Comphac para que possamos nos prevenir e agir com antecedência, não chegando ao ponto extremos dessas duas figueiras”, diz Lincoln.

O corte das árvores chegou a ser contestada pelo ambientalista Vicente Cioffi. Na época, Vicente cegou a enviar uma representação contra a medida ao Ministério Público.

“É fundamental que qualquer prefeitura haja com um planejamento bem definido para evitar que um caso desses chegue ao ponto que se chegou. Outro passo é fazer um inventário para detectar a saúde de todas as árvores na cidade e trabalhar na prevenção”, diz Vicente que é conselheiro suplente do Comam (Conselho Municipal de Meio Ambiente).

De acordo com a Assessoria de Arborização e Áreas Verdes da prefeitura, a supressão está respaldada pela Lei de Arborização de São José (Lei Municipal 5.097/1997) e pelo Decreto Municipal 7.668/1992, sobre imunidade de corte.

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