Fiscalização identifica 163 trabalhadores em condições análogas à escravidão

Jornada exaustiva, precárias condições de alojamento e retenção de documentos

Escrito por: Meon Redação2 min de leitura
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Durante uma série de fiscalizações iniciada em novembro, foi identificado um quadro alarmante de abuso e exploração no alojamento de trabalhadores da empresa terceirizada Jinjang, prestadora de serviços para a BYD. O trabalho das autoridades revelou que 163 pessoas estavam sendo submetidas a condições análogas à escravidão.

Nos alojamentos, as condições eram deploráveis. No primeiro, os trabalhadores dormiam em camas sem colchões, e o ambiente sanitário era gravemente insalubre, com apenas um banheiro para cada 31 operários. Para conseguir utilizar o banheiro antes de iniciar a jornada de trabalho, eles precisavam acordar às 4h da manhã e formar longas filas. O segundo alojamento apresentava problemas semelhantes, incluindo a falta de infraestrutura básica e condições de higiene inadequadas.

Além disso, os banheiros eram insuficientes e não segregados por sexo. Não havia assentos sanitários adequados, e a higiene geral estava muito aquém do necessário. A falta de um local apropriado para lavar roupas obrigava os trabalhadores a usar os banheiros para esse fim, agravando ainda mais as condições do ambiente.

Os trabalhadores enfrentavam ainda abusos financeiros, sendo obrigados a pagar caução e com 60% de seus salários retidos pela empresa, recebendo apenas 40% do pagamento em moeda chinesa. A rescisão contratual implicava em ônus excessivo, e os passaportes dos empregados eram retidos pela empresa, impedindo a saída do país. Além disso, se decidissem rescindir o contrato após seis meses, os trabalhadores saíam do Brasil sem receber nada, pois o valor da caução e as despesas com as passagens de vinda e retorno eram descontados integralmente, caracterizando um confisco dos salários.

A jornada de trabalho era de 10 horas diárias, com irregularidades nas folgas previstas. Foi identificado ainda o caso de um trabalhador que sofreu um acidente de trabalho após 25 dias consecutivos sem folga, relatando cansaço extremo e sonolência no momento do incidente, o que evidencia os riscos das longas jornadas de trabalho e as condições precárias dos alojamentos.

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