Frequentadores e comerciantes da ‘Ladeira’ reclamam do lixo no local

Local fica no Urbanova, em S. José, e tem gerado transtorno para moradores

Escrito por: Rodrigo Ribeiro4 min de leitura
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20151030_ladeira_urbanova_são josé dos campos_(Reprodução/Facebook Ladeira do Urba Skateboard & Lifestyle)

Placa colocada pelos praticantes de esporte do local

Reprodução/Facebook Ladeira do Urba Skateboard & Lifestyle

Há alguns meses, uma avenida em São José dos Campos, que sempre foi sinônimo de prática esportiva e pôr do sol, vem gerando um incômodo em moradores, comerciantes e nos próprios frequentadores – os mais antigos, diga-se de passagem – devido à bagunça e ao lixo deixado no local.

Trata-se da “Ladeira”, como é conhecida a avenida Seluta Barbosa Mendonça, no Urbanova, região oeste da cidade. “O lugar é bonito, trânquilo. O pessoal se reúne pra fazer um som, fogueira e nunca vi uma briga, assalto, confusão, etc. Mas, infelizmente, há os que extrapolam e o maior problema é a sujeira deixada no local e o barulho”, conta Rogério Neres, proprietário de um estabelecimento que fica na via.

Os incômodos são tantos, que nesta quarta-feira (28), um grupo de moradores se reuniu com o secretário de Defesa do Cidadão de São José, Sérgio Werneck, para conversar sobre alguns “transtornos” ocorridos no local, que fica próximo à Univap (Universidade do Vale do Paraíba) e a residências.

Segundo Neres, os problemas no local normalmente acontecem após à meia-noite e durante a madrugada. “Na sexta-feira e no sábado, por exemplo, quando há mais movimento, as pessoas começam a chegar a partir das 11h e 11h30 e os problemas começam a partir da 1h. Fecho meu bar à 0h e ainda ‘pagamos o pato’ pela sujeira deixada”, diz Neres.

“No sábado pela manhã, eu mesmo tento limpar o local. Já cheguei a retirar de cinco a seis sacos de cem litros de lixo. Neste domingo (25), por exemplo, não abrimos o bar e, no dia seguinte, a rua estava tomada de lixo”, afirma Neres.

Outros dois antigos frequentadores do local também confirmam as informações. “Costumo ir para andar de skate e longboard. Prefiro ir no fim de tarde por ser mais vazio. O problema está nos finais de semana, quando o número de pessoas sobe muito. O pessoal vai com som no carro muito alto, com bebidas e drogas, ficando lá até a madrugada”, conta Vitor Almeida, estudante da Univap.

“Frequento a Ladeira há uns nove anos. Pratico skate downhill. Estudei na Univap e sempre estava por lá, hoje em dia menos. Uma vez por semana, apareço por lá no período da tarde para andar de skate e ver o pôr do sol. Mas, parece que no período da noite estão ‘causando’ por lá, com carros com som alto, cooler com bebida etc.”, afirma Pedro Ramos.

De acordo com Ramos, o lixo deixado no local não é dos praticantes de esporte. “Na maioria dos casos é quem não pratica, pois jogam tudo na Ladeira: tampinha, garrafa quebrada, lata etc. Algumas vezes fazemos uma reunião com a rapaziada do skate para limpar a Ladeira: varrer e recolher o lixo da noite”, afirma.

“Param carros em toda a extensão da Ladeira, deixando perigosa a prática do skate. Também param em frente à garagem dos moradores do prédio. Por isso, acontece a reclamação dos moradores. Mas isso é de pouco tempo pra cá. Antes era tranquilo, mais famílias e tal. Parece que virou ‘rolezinho da rapa’ do deck do Anchieta [avenida de São José]”, diz Pedro.

“Não vou deixar de ir me divertir e apreciar a paisagem da Ladeira, pois faz tempo que vou lá. Mas agora tem que selecionar o horário para ir por causa de tudo isso”, conclui Pedro.

O presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da Univap, Rodrigo Freitas, confirma a informação do comerciante Rogério Neres. “Há cinco meses, fizemos uma festa no local e quando acabou o evento havia muito lixo. Nós mesmos do DCE recolhemos”, conta Freitas que também frequenta o local.

“Afora o DCE, também frequento o lugar e vejo que a maior parte das pessoas respeita o espaço. O problema é que tem ido muita gente. O principal problema é mesmo o lixo, mas acredito que faltam lixeiras no local, além da iluminação que está precária”, conta Freitas.

No próximo dia 6, está programado outro evento do DCE no local. “Assim como no primeiro, teremos o apoio da guarda de trânsito e também pedimos o apoio da PM (Polícia Militar). Escolhemos o local porque é próximo da universidade e de fácil acesso para os estudantes”, diz Freitas.

Policiamento
A reportagem conversou com o sargento Medeiros, da Polícia Militar, que confirmou as ocorrências por barulho no local. “O maior número de atendimentos no local é por perturbação de sossego. O problema, e isso não é exclusivo de São José, acontece em várias cidades. É que, na maioria das vezes, os policiais pedem para que desligue o som e quando vão embora, as pessoas voltam a ligar”, comenta.

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