Gilmar Mendes defende reforma política para as eleições de 2018
Ministro Gilmar Mendes durante palestra promovida pelo Lide Pedro Ivo Prates/Meon O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Gilmar Mendes, afirmou nesta segunda-feira (03), em visita a São José dos Campos, que o Brasil precisa priorizar a construção de uma reforma política antes das próximas eleições presidenciais, em 2018. A declaração foi dada um dia […]


Ministro Gilmar Mendes durante palestra promovida pelo Lide
Pedro Ivo Prates/Meon
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Gilmar Mendes, afirmou nesta segunda-feira (03), em visita a São José dos Campos, que o Brasil precisa priorizar a construção de uma reforma política antes das próximas eleições presidenciais, em 2018.
A declaração foi dada um dia antes do início do julgamento que pode resultar no afastamento do presidente da República, Michel Temer (PMDB).
Na avaliação do ministro, as discussões sobre o sistema eleitoral devem estar associadas ao debate sobre o financiamento de campanha. Para ele, o país está passando por uma crise política e de credibilidade no sistema político atual, situações que afetariam, inclusive, a capacidade decisória do Congresso.
“Nós discutimos, no Brasil, antes o financiamento e não discutimos o sistema eleitoral. Precisamos realmente resolver essa questão de maneira definitiva”, disse o ministro em conversa com jornalistas durante evento promovido pelo Lide Vale do Paraíba (Grupo de Líderes Empresariais), no hotel Golden Tulip.
Gilmar Mendes se recusou a responder qualquer tipo de pergunta relacionada ao julgamento que vai presidir nesta terça-feira (04), sobre a ação que analisa eventual abuso de poder político e econômico pela chapa Dilma-Temer na campanha de 2014.
Ele também não quis comentar como seria a “desmitificação de caixa dois”, apontada por ele em entrevistas anteriores à imprensa, onde também afirmou que a prática pode não ser corrupção.
“Não quero dar margem para possíveis especulações”, disse o ministro ao Meon depois de questionado sobre a recusa de falar dos assuntos.
Instabilidade
Sem mencionar diretamente o processo Dilma-Temer, Mendes usou exemplos de julgamentos semelhantes, como da cassação dos governadores de Tocantins e do Amazonas, para falar da instabilidade política que o resultado de uma ação dessa envergadura pode causar.
“O Tribunal vai fazer, certamente, avaliações dessas situações concretas e da gravidade que se impõe. Cada caso tem suas peculiaridades”, ressaltou Mendes, encerrando a entrevista coletiva ao responder de maneira superficial a possibilidade de pedidos de vistas durante o julgamento desta quarta-feira (03).
“Não sei ainda se isso vai ocorrer. Temos que avaliar. Certamente vão acontecer sustentações orais que trarão incidentes que terão que ser descidos pelo Tribunal”, explicou.
Aparelhamento
Durante sua palestra ao grupo de empresários, Gilmar Mendes criticou o “aparelhamento” promovido pelo PT, segundo ele, no TST (Tribunal Superior do Trabalho). Para ele, os petistas teriam transformado a corte em um “laboratório da CUT” (Central Única dos Trabalhadores).
“Hoje, o tribunal é composto por muitos simpatizantes que foram indicados pela CUT. E nós temos um Direito do Trabalho engessado. O país tem 13 milhões de desempregados e um sistema inflexível”, afirmou Mendes, finalizando a afirmação com um “Graças a Deus” de o aparelhamento não ter tido ramificações.
Para ele a situação aconteceu devido a um descuido da sociedade. “A sociedade não fiscalizou o provimento das vagas na Justiça do Trabalho”, ressaltou.
Descontração
Um dos poucos momentos de descontração da palestra aconteceu quando o mediador do evento leu uma das perguntas enviadas a Gilmar Mendes. “Quando o Lula será preso?”, indagou o mediador. Gilmar Mendes apenas riu do inusitado questionamento.








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