GM culpa sindicato pela deterioração do complexo industrial de São José
Segundo a GM, entidade recusou propostas aceitas em outras cidades


GM culpa sindicato pela deterioração do complexo industrial de São José
Divulgação/GM
Para a General Motors, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos é o culpado pela falta de competitividade do complexo industrial da montadora na cidade. Nesta sexta-feira (14), a empresa, que iniciou uma série de demissões, emitiu um comunicado sobre a atual situação da unidade.
No fim de julho deste ano, a GM anunciou um investimento de R$ 13 bilhões no Brasil até 2019. Desse valor, R$ 6,5 bilhões seriam destinados para desenvolver uma linha com seis modelos de veículos Chevrolet.
No entanto, a planta de São José ficou de fora do plano da montadora e, de acordo com a GM, os modelos vão ser produzidos em apenas duas fábricas: Gravataí (RS) e São Caetano (SP).
No comunicado, a montadora ainda informou que demonstrou mais uma vez sua visão de longo prazo para o país, independentemente das atuais dificuldades econômicas. “Cabe lembrar que essas dificuldades se expressam na dramática queda de volume do mercado, que começou em 2013 e já supera 32%. Desde então, o volume anual da indústria está encolhendo em 1,2 milhão de unidades, gerando um impacto significativo nos resultados financeiros da empresa”, diz.
Segundo a empresa, nos primeiros seis meses de 2015, a GM da América do Sul reportou prejuízo, sendo o Brasil o principal gerador dos resultados negativos.
“Especificamente o Complexo de São José dos Campos tem mostrado uma constante deterioração de sua competitividade, desde 2008, devido à sistemática rejeição das propostas da GM pelo sindicato dos metalúrgicos. Propostas estas aceitas por todas as demais unidades da empresa no Brasil, que têm melhorado a sua produtividade ao ponto de serem consideradas hoje referências globais de eficiência”, diz a nota.
Com relação às demissões em São José, a GM informou que esgotou todas as alternativas possíveis antes de reduzir seu quadro de empregados. “A empresa usou os recursos de férias coletivas, layoff, banco de horas, programas de desligamento voluntário, entre outros. Todas essas medidas, porém, não foram suficientes diante da expressiva redução da demanda do mercado”.
“A GM tem privilegiado o diálogo com todos os parceiros, incluindo governo, sindicato, fornecedores e concessionários. Nós acreditamos fortemente na via do diálogo e entendimento entre as partes”, conclui a nota.
Outro lado
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, não concorda com a empresa. “Isso é uma grande mentira, a GM acaba de demitir em São Caetano do Sul. Iniciou processo de demissão na fábrica de Gravataí, então, essas informações não procedem”, disse.
“Queremos que o Governo Federal proíba a remessa de lucro que estão enviando para o exterior. A GM não passou por crise financeira, acaba de lucrar nos últimos três meses mais de um bilhão de dólares, o que representa um crescimento de 302% no seu lucro”, complementa Macapá.
De acordo com o presidente, a paralisação na unidade joseense não tem data para acabar. “A greve tem prazo indeterminado, vamos continuar na fábrica no fim de semana e na segunda-feira (17), temos audiência no TRT em Campinas. Nosso objetivo é reverter as demissões, garantir a estabilidade no emprego e redução da jornada de trabalho sem redução do salário”, conclui.
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