‘Gripário’ de Ilhabela completa um mês de funcionamento com pouco movimento
Investimento foi de R$ 480 mil para 60 dias de atendimento de pacientes com sintomas gripais





Há um mês, a cidade de Ilhabela tem uma tenda no estacionamento do Hospital Municipal Governador Mário Covas, no bairro Barra Velha, para atender pacientes com sintomas de gripe. O “gripário” que teve um investimento de R$ 480 mil, para 60 dias de funcionamento.
Segundo a prefeitura, o objetivo da instalação da tenda é desafogar o hospital e ampliar medidas de combate à contaminação por coronavírus.
A reportagem do Portal Meon visitou o local na manhã desta quinta-feira (23) e encontrou um movimento bastante tranquilo, praticamente parado. Ilhabela tem três casos confirmados de Covid-19 e nenhum paciente está internado com suspeita da doença.
O secretário de Saúde, Gustavo Barboni, ressalta que o ‘gripário’ não é um hospital de campanha. O espaço serve para consultas de pacientes com sintomas.
“No ‘gripário’ são feitas as consultas dos pacientes com sintomas gripais. Estes pacientes poderão ser internados na ‘ala-covid’, criada especialmente dentro do Hospital Municipal para tratamento da doença. Se não for o caso de internação, o paciente pode ser medicado e dispensado. Todos os casos são notificados”, disse Barboni.
A área de atendimento tinha apenas um paciente. Ele deixou o local minutos depois. Um funcionário se recusou a nos dar qualquer informação.
Questionado, o secretário de Saúde, Gustavo Barboni, afirmou que o investimento feito na aquisição do ‘gripário’ tem processo administrativo e está devidamente publicado.
“Todas as ações feitas pela prefeitura de Ilhabela contribuíram para os números que temos hoje. Estamos na contramão dos números das outras cidades da região, que estão com mais casos positivos e mortes confirmadas. Porém, poderíamos não estar com estes números. Estaríamos iguais ou piores do que as outras cidades. Agora seremos criticados pela eficiência? ”, afirmou.
A prefeitura não informou o gasto e o atendimento diário com o ‘gripário’, e nem se houve contratação de funcionários. Atualmente, o arquipélago de Ilhabela tem seis leitos de UTI e 17 leitos de enfermagem comum.
Gripário divide opiniões entre a população
A reportagem conversou com alguns moradores para saber a opinião deles. Para a publicitária Patrícia Pontes, de 43 anos, o espaço é importante para a cidade:
“Acho super válido, pois assim torna a triagem da população que procura o hospital um pouco mais segura, não fazendo aglomerações em ambientes fechados. Nessa época do ano a maioria dos casos se trata de síndrome gripal. É uma medida importante”, afirmou.
Já o eletricista Hélio Lopes, de 32 anos, não concorda com o ‘gripário’:
“É uma maneira incorreta de triagem. Afinal, pode-se misturar, por exemplo, um gripado com uma pessoa contaminada pelo coronavírus. Este valor investido nas estruturas poderia ser melhor empregado em uma espécie de atendimento móvel, equipando veículos para atender quem estiver com sintomas em suas casas. É nestes casos de síndromes gripais que deveriam haver o isolamento social e não para todos”, declarou.
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