Hábitos urbanos colaboram com aumento da violência em pequenas cidades da RMVale

Região mais violenta do interior do Estado de São Paulo com 166 homicídios dolosos (com intenção) de janeiro a maio deste ano, a RMVale abriga “ilhas de tranquilidade”. Dez das 39 cidades do Vale do Paraíba não registraram nenhum caso de assassinato.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Estância turística de Cunha registra quatro homicídios neste ano

Divulgação/ Prefeitura de Cunha

Região mais violenta do interior do Estado de São Paulo com 166 homicídios dolosos (com intenção) de janeiro a maio deste ano, a RMVale abriga “ilhas de tranquilidade”. Dez das 39 cidades do Vale do Paraíba não registraram nenhum caso de assassinato.

São pequenas cidades e, em algumas, como é o caso de Santo Antonio do Pinhal e Redenção da Serra, há mais de uma década não ocorre uma morte violenta. Entretanto, em outros municípios menores e considerados tranquilos, a realidade é um pouco diferente.

A estância climática de Cunha, por exemplo, já registrou quatro assassinatos neste ano. Com pouco mais de 6.000 habitantes, Lavrinhas conta com dois homicídios no mesmo período. Canas, Caçapava, Monteiro Lobato, Potim, Roseira, Igaratá, Arapeí, Lagoinha, Paraibuna, Piquete, entre outras, também entraram para as estatísticas de homicídio.

De acordo com o sociólogo Maurício Rego, professor da Unitau (Universidade de Taubaté), a escalada da violência nessas cidades menores explica-se pela adoção de hábitos vindos de cidades mais urbanizadas. O especialista crê em uma relação entre o fluxo de turistas com os problemas relacionados ao consumo de drogas e, consecutivamente, a criminalidade.

“A característica de agregação entre os moradores, que é comum nessas cidades pequenas, acaba sofrendo certo abalo quando, principalmente os jovens, experimentam um tipo de badalação que não experimentam em sua rotina. Assim, quando voltam para a sua realidade, há uma insatisfação com aquele ritmo mais pacato. Assim, a fuga para as drogas acaba sendo uma alternativa para lidar com esse sentimento, o que aumenta os índices de criminalidade”, afirma.

Rego explica que a falta de alternativas de emprego e qualificação para a juventude sempre foi um problema para as cidades pequenas. Entretanto, afirma que a chegada de drogas como o crack faz com que a situação se agrave. “O alcoolismo é um problema sério, mas como o álcool é mais aceito na sociedade, é um problema com o qual a comunidade sabe lidar. Já com as drogas, a coisa muda de figura”, afirma.

Segurança
Por essas razões, o coronel reformado da Polícia Militar, José Vicente da Silva, defende uma ação ostensiva contra o tráfico de drogas nas cidades menores. De acordo com o militar, esses municípios não têm grandes traficantes, mas conta com usuários que distribuem a droga entre amigos e levam mais pessoas ao vício.

“O policial nessas localidades tem que revistar os carros que vão para as festas, fazer revistas em pessoas que estão nos bares. Com respeito e educação, evidentemente. Até porque, normalmente são jovens que vão estudar fora e quando voltam acabam apresentando a droga para os amigos. A polícia deve agir com antecedência, sem esperar que os incidentes aconteçam”, comenta o especialista em segurança.

Silva acredita que, apesar dessas características, as cidades menores da região não enfrentam uma crise de violência. “Ainda temos uma realidade de muitos homicídios passionais, resultantes de brigas entre vizinhos ou de alguém que acaba bebendo demais. O aumento nesses crimes deve ser analisado observando caso a caso”, avalia.

Não registraram homicídios neste ano Areias, Bananal, Cachoeira Paulista, Jambeiro, Natividade da Serra, Queluz, Redenção da Serra, São Luiz do Paraitinga, Silveiras e Santo Antonio do Pinhal. Nas demais 29 cidades da RMVale ocorreu pelo menos um assassinato. Os dados foram divulgados no site da Secretaria do Segurança Pública.

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