Hospital Municipal realiza doação de órgãos de garoto de 5 anos em S. José

Há dois dias da data em que comemora-se o Dia das Mães, a corajosa decisão de uma mãe em doar os órgãos do filho de 5 anos, morto em um atropelamento na zona sul de São José dos Campos, será o melhor presente para outras quatro mamães, que finalmente vão ver seus filhos receberem os transplantes.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
fundo_placeholder-023136

Há dois dias da data em que comemora-se o Dia das Mães, a corajosa decisão de uma mãe em doar os órgãos do filho de 5 anos, morto em um atropelamento na zona sul de São José dos Campos, será o melhor presente para outras quatro mamães, que finalmente vão ver seus filhos receberem os transplantes.

Com a morte cerebral do garoto confirmada nesta quarta-feira (8), os médicos do Hospital Municipal da cidade conseguiram que coração, fígado e os dois rins se mantivessem em condições para a doação. Enquanto o coração vai para Curitiba, os rins rumam para Campinas e o fígado para o Hospital das Clínicas em São Paulo.

É a primeira vez que o hospital realiza uma operação envolvendo o transplante de coração para uma criança. O órgão, inclusive, é o que exige maiores cuidados por parte dos médicos. Para que o transplante seja bem sucedido, o tempo entre a retirada do coração e o transplante em outra pessoa não pode ultrapassar as quatro horas.

Por isso, a partir do momento em que a família do garoto autorizou a doação, deu-se início a uma operação contra o tempo. Enquanto a equipe médica realizava a extração do coração, um avião do Governo do Paraná aguardava de prontidão na pista do aeroporto de São José.

“Sinceramente, é o procedimento com tempo mais apertado que eu já participei. Isso porque a distância entre as cidades é grande. Normalmente o destino dos órgãos é a capital paulista”, explica a superintendente de enfermagem Vania Cristina Dias.

Coração
O coração do garoto joseense será a solução para uma criança paranaense de 8 anos. Portadora de uma miocardiopatia dilatada –quando o coração é maior do que o normal e não consegue manter perfeitamente as funções vitais-, a garota está há dois anos na fila do transplante e vive uma rotina de internações e privações constantes.

De acordo com o cirurgião Fábio Rodrigues Silva, da equipe médica de Curitiba, a paciente está internada no Hospital Pequeno Príncipe e teria sua condição cada vez mais debilitada caso não houvesse o transplante.

“É uma alegria muito grande quando podemos dar essa notícia para uma família que passou tanto tempo esperando. Com o transplante, a paciente terá uma vida muito próxima da normal”, afirma.

Equipe
No Hospital Municipal, a responsabilidade por esclarecer as famílias sobre a importância da doação de órgãos é da Comissão Intra Hospitalar para Doação de Órgãos. De acordo com o neurologista Rogério Xavier, líder da equipe, quando trata-se de uma criança o trabalho fica muito mais difícil.

“Nesses casos controlar o fator emocional é muito mais difícil, tanto para a família quanto para nós. Mas é importantíssimo que as famílias se conscientizem da alegria que elas podem proporcionar para outras famílias que estão passando por dificuldades”, explica.

O transplante de coração só é possível em casos de morte cerebral, já que nessas ocasiões, o órgão continua em funcionamento.

Publicado em: