Ilhabelenses são resgatados em Natal após 32 horas à deriva em alto-mar
Dois velejadores de Ilhabela ficaram por 32 horas à deriva em alto-mar após participarem de uma regata que iria do Recife à Fernando de Noronha, em Pernambuco. Os irmãos Jorge Neves, 59 anos, e Roberto Neves, 66, foram resgatados a 50 quilômetros do litoral do Rio Grande do Norte por um navio de tripulação russa na noite do dia 29 de setembro.


Veleiro resgatado por lancha da Marinha do Brasil
Divulgação/Imprensa Livre
Dois velejadores de Ilhabela ficaram 32 horas à deriva em alto-mar após participarem de uma regata que iria do Recife a Fernando de Noronha, em Pernambuco. Os irmãos Jorge Neves, 59 anos, e Roberto Neves, 66, foram resgatados a 50 quilômetros do litoral do Rio Grande do Norte por um navio de tripulação russa na noite do dia 29 de setembro.
Os ilhabelenses integravam um grupo com outros quatro velejadores que disputavam a 26ª edição da Regata Recife/Fernando, que teve largada às 14h do dia 27. O modelo Nativo trimarã 33, de três cascos, que os tripulantes velejavam quebrou no meio da travessia, por volta das 23h.
De acordo com um dos tripulantes da embarcação, Álvaro da Fonte, 53 anos, o barco virou completamente após a tripulação ouvir um alto barulho. A virada do barco obrigou os seis náufragos a se revezarem em cima da proa.
“A gente acabou se revezando. Enquanto uns ficavam em cima da proa, outros esperavam na água. A ajuda mútua e conhecimento do mar foram fundamentais para a nossa sobrevivência, além de muita sorte também”, afirma.
Por volta das 3h da manhã, quatro horas depois do acidente, o bote salva-vidas que estava na embarcação emergiu à superfície. Com apenas água potável como suprimentos, os tripulantes tiveram que dividir a pouca quantidade da qual dispunham no bote.
“Foi inacreditável, cada um só bebeu 100 ml de água até sermos resgatados. Nosso plano era esperar amanhecer para, aí sim, puxar o bote”, afirma.
O pernambucano René Hutzeler, 36 anos, estava à frente do leme quando sentiu o estrondo. René, que não tem parte da audição, explicou que teve medo pois caiu imediatamente na água. Assim como os outros, o pernambucano não conseguiu resgatar nenhum objeto material, “apenas as nossas vidas”.
Socorro
O navio que resgatou os seis náufragos é de bandeira liberiana, mas tinha toda a tripulação russa. A embarcação havia saído do Rio de Janeiro com destino a Nassau, nas Bahamas.
O ilhabelense Jorge Neves destaca a cordialidade dos russos. De acordo com o velejador, toda a tripulação foi solícita com a situação dos seis. “Os russos foram extremamente gentis e prestativos, nos deram roupa, comida, sapatos. Além de parar a rota deles para nos deixar o mais próximo possível da costa de Natal”, explica.
Os seis chegaram em uma lancha da Marinha do Brasil à Capitania dos Portos de Natal no início da noite do dia 29. Em terra, os sobreviventes comentaram que, apesar das dificuldades impostas pelo naufrágio, a esperança de vencer momentos difíceis foi o sentimento que prevaleceu durante as 32 horas em que estiveram em alto-mar.
( *com informações do jornal Imprensa Livre)
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