IML divulga causa da morte de jovem atacado por leoa em zoológico de João Pessoa

IML confirma choque hemorrágico e exames complementares na morte de jovem atacado por leoa em João Pessoa

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
Leona nasceu e foi criada no Parque Zoobotânico Barro da Câmara • Reprodução/Redes Sociais

O IML (Instituto Médico Legal) de João Pessoa divulgou, na tarde desta segunda-feira (1º), o resultado preliminar da perícia feita no corpo de Gerson de Melo Machado, 19 anos, que morreu após invadir o recinto de uma leoa no Parque Zoobotânico Arruda Almeida, na capital paraibana, na manhã de domingo (30). Segundo o laudo, a morte ocorreu por choque hemorrágico decorrente do perfuramento de vasos cervicais, incluindo artérias e veias essenciais da região do pescoço, lesões compatíveis com uma mordida do animal.

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O instituto informou que o procedimento ainda não está concluído. Exames complementares foram solicitados, entre eles o toxicológico, que busca identificar a presença de substâncias no organismo da vítima que possam ter influenciado seu comportamento, e o exame de identificação técnica, que integra o protocolo padrão em mortes violentas e incomuns. O corpo só será liberado aos familiares após a finalização dessas etapas legais.

Bióloga responsável detalha comportamento da leoa

Diante da repercussão do caso nas redes sociais, a bióloga Marília Maia, responsável pelo cuidado diário da leoa, gravou um vídeo ao lado da administração do parque para esclarecer o comportamento do animal durante o ataque. Segundo ela, a reação da leoa foi resultado de um instinto natural da espécie, já que o recinto foi invadido por um estranho que ultrapassou todas as barreiras de segurança.

Marília explicou ainda que a leoa não chegou a se alimentar da vítima e que se afastou logo após o ataque, comportamento considerado típico para situações em que o animal age por defesa territorial. Ela reforçou que o zoológico segue todos os protocolos de segurança e que o recinto possui barreiras suficientes para impedir o acesso do público  o que torna o episódio ainda mais chocante devido ao esforço realizado pela vítima para entrar no local.

Histórico da vítima e contexto social

Fontes da área da assistência social afirmam que Gerson apresentava comportamento desorganizado, com episódios de fuga e resistência a tratamentos. A conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou o jovem durante anos, relatou que ele chegou a ser encaminhado ao CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), mas fugiu da unidade antes de iniciar o atendimento.

O jovem estava detido recentemente e havia sido colocado em liberdade dois dias antes do ataque, na sexta-feira (28). A polícia agora tenta entender quais foram os passos dele nas horas que antecederam a invasão ao zoológico.

Investigações seguem em andamento

A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as circunstâncias da morte e entender se o jovem estava sob efeito de alguma substância, se foi incentivado por terceiros ou se o ato foi resultado de uma crise relacionada ao transtorno mental que apresentava. O laudo toxicológico será determinante para esclarecer parte dessas dúvidas.

Também será analisado se houve algum tipo de falha na segurança externa do parque, apesar de, até o momento, os indícios apontarem para uma invasão deliberada e sem precedentes.

A Secretaria de Meio Ambiente de João Pessoa informou que o parque permanecerá aberto, mas medidas adicionais de vigilância estão sendo discutidas.

O caso segue com grande repercussão nas redes sociais, mobilizando debates sobre saúde mental, segurança em zoológicos e protocolos de proteção de animais silvestres.

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