Índice de 64,3% de cesáreas em São José dos Campos preocupa secretaria
Pasta reuniu representantes de hospitais para discutir o aumento dos casos


Índice de 64,3% de cesáreas em São José dos Campos preocupa secretaria
Divulgação
O índice de partos por cesáreas em São José dos Campos é de 64,3% e tem preocupado a prefeitura. O dado é da Secretaria de Saúde que, nesta quinta-feira (18), convocou os diretores clínicos das maternidades da cidade, públicas e particulares, para uma reunião.
De acordo com a pasta, o objetivo do encontro foi discutir o crescimento de partos por cesárea realizado em São José -um indicador que vem chamando a atenção. A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que este percentual não passe dos 15%.
Segundo a Secretaria de Saúde, no Hospital Municipal, 41,1% dos partos são por cesárea. Índice que, de acordo com a pasta, pode ser explicado pela quantidade de partos de alto risco, já que o hospital é a principal maternidade pública da cidade.
Já nos hospitais particulares o índice aumenta. Dados divulgados também pela secetaria mostram que a liderança fica com a Santa Casa, onde 90,6% dos partos realizados em 2014 foram por cesárea. Seguido pelo Policlin (90,4%), Maternidade São José (75,3%) e Antoninho da Rocha Marmo (57%). De acordo com a secretaria, não compareceram representantes do Policlin e da Maternidade São José.
O juiz da Vara da Infância e Juventude de São José dos Campos, Marcos César de Vasconcelos, sugeriu que, como forma de controle, a Secretaria da Saúde estabelecesse a notificação das cesáreas realizadas antes da 37ª semana de gestação, que é quando aumenta o risco de prematuridade. Também sugeriu a unificação do cartão de gestante utilizado em todos os hospitais públicos e particulares.
A presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), Silvana Maria Figueiredo Morandini, defendeu o equilíbrio. “Não se pode querer que todos os partos sejam normais. Por outro lado, não podemos aceitar esse exagero no número de cesáreas. Tem que haver o mínimo de bom senso, de todas as partes envolvidas”, afirmou.
“A ideia é que ocorram outras reuniões sobre o assunto. Nessa primeira conversa pudemos expor o problema e nossas preocupações. Afinal, o parto antes da hora pode trazer complicações e até aumentar nosso índice de bebês com baixo peso ao nascer. O assunto é importante e a ajuda dos hospitais particulares nessa tarefa é imprescindível”, disse o secretário de Saúde de São José, Paulo Roitberg.
Risco desnecessário
Em janeiro deste ano, o Ministério da Saúde anunciou um pacote de resoluções para estimular o parto normal e reduzir as cesarianas desnecessárias entre as pacientes de planos de saúde.
O objetivo do governo é combater o que considera uma epidemia de cesarianas no país, já que essa cirurgia representa cerca de 80% dos nascimentos via planos de saúde. No Brasil, 55,6% dos partos são cesáreas.
Estudos revelam que a cesariana, sem indicação médica, aumenta em 120 vezes o risco de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe. Ao todo, cerca de 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no país estão relacionados à prematuridade.
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