Intervenção política coloca em risco o futuro do Inpe, diz sindicato

Marcos Pontes anunciou nesta segunda-feira o novo diretor interino do Inpe

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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Divulgação/Inpe

A nomeação de Darcton Policarpo Damião como diretor interino do Inpe deixou o servidores e pesquisadores incomodados, segundo o sindicato que representa a categoria. A intervenção política do governo Jair Bolsonaro (PSL), de acordo com a classe, pode colocar em cheque o futuro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações anunciou, nesta segunda-feira (5), que Damião foi escolhido para assumir interinamente a diretoria do Inpe, substituindo o ex-diretor Ricardo Galvão que foi demitido na última sexta-feira (2).

Apesar de não apontar nenhuma crítica a Darcton, o presidente do SindCT (Sindicato dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial), Ivanil Elisiário Barbosa, diz que a indicação não é vista de forma positiva.

“A gente esperava que, com a forma traumática que Ricardo Galvão foi demitido, a melhor conduta teria sido deixar o vice-diretor no cargo até que fosse feita a votação para a escolha do novo diretor”, afirmou.

Pelo regimento interno do Inpe, a escolha do diretor deve ocorrer por meio de uma lista tríplice elaborada por um comitê, que é composto por cientistas e pesquisadores renomados. Feita a votação, os possíveis nomes para ocupar o pleito são enviados para o ministro da Ciência e Tecnologia, que dá o parecer final.

“Esse processo é feito por um comitê de busca, que escolhe o melhor candidato. É avaliado o currículo, formação acadêmica, trabalhos publicados e experiência gerencial da pessoa. Isso minimiza a intromissão política no instituto, é assim que Galvão foi escolhido”, pontuou o presidente do SindCT.

Ricardo Glvão deixou a direção do instituto após duas semanas de intenso bombardeio por parte do governo às informações do Inpe que mostram que desde maio os alertas de desmatamento da Amazônia dispararam.

Para o presidente do SindCT, após as críticas e a exoneração do ex-diretor o sentimento de incerteza ronda todos os cantos do Inpe.

“O Inpe está com todas as razões aflito ou receoso em relação a seu futuro. O presidente da republica desacreditou do instituto dizendo que os servidores são antipatriotas ou que querem denegrir a imagem do governo. Qual é a expectativa do Inpe em receber verbas e continuar a existindo com conflito desses?”, indagou.

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