Jacareí amarga saída de três multinacionais nos últimos 18 meses

Na quarta-feira (8), a Schrader anunciou o fechamento da sua unidade

Escrito por: Rodrigo Ribeiro3 min de leitura
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Na quarta-feira (8), a Schrader anunciou o fechamento da sua unidade na cidade

Divulgação/SindMetal/SJC

Devido à crise econômica que atinge o Brasil, Jacareí perdeu três empresas multinacionais em um ano e meio. De janeiro de 2014 até julho deste ano, duas empresas encerraram suas atividades e uma outra anunciou, na última semana, o fechamento de sua unidade na cidade.

No dia 8 de janeiro do ano passado, a Emerson, que produz dispositivos para telecomunicações e fornecimento de energia, anunciou o fechamento da sua unidade em Jacareí. Com a saída, a empresa demitiu 133 empregados e transferiu outros 33 para a unidade de Sorocaba (SP).

Em abril último, a Rhodia, fabricante do ramo têxtil em Jacareí, demitiu 129 funcionários e também encerrou sua produção na cidade. A empresa informou que decidiu concentrar sua produção na unidade de Santo André (SP) após queda no consumo de produtos, resultado da crise econômica. Além disso, a produção passou a ter acréscimo substancial, provocado pelo aumento dos custos de energia elétrica em 2015.

Já na última quarta-feira (8), a Schrader, que é do setor de autopeças e está instalada há mais de 60 anos em Jacareí, anunciou o fechamento da sua unidade na cidade. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, a empresa possui cerca de 190 funcionários e as peças fabricadas em Jacareí passarão a ser comercializadas por meio de importação.

A unidade da Schrader em Jacareí é a única da multinacional no Brasil. Ainda de acordo com o sindicato, a empresa pretende encerrar definitivamente as atividades na cidade no próximo dia 31 de outubro.

A Schrader não informou a data do fechamento, mas comunicou ao sindicato, na última quarta-feira (8), que irá fechar a fábrica. Nesta segunda-feira (13), os trabalhadores da Schrader realizaram um protesto contra os planos da empresa de encerrar suas atividades na cidade.

A união faz a força
De acordo com o sindicato, os trabalhadores devem procurar o prefeito Hamilton Ribeiro Mota (PT) para reivindicar que o poder público interceda pela permanência da fábrica na cidade. Para evitar as demissões, a entidade informou que vai realizar uma campanha em defesa do emprego.

O primeiro passo será cobrar do prefeito Hamilton a realização de uma audiência pública sobre o assunto, envolvendo toda a população. “O fechamento da Schrader vai afetar não só os trabalhadores, mas toda a cidade. O prefeito e os vereadores não podem se omitir numa situação como essa. O poder público tem de se somar à luta dos trabalhadores pela manutenção desses postos de trabalho”, afirma o diretor do Sindicato, João da Silva.

Para o economista Luiz Carlos Laureano da Rosa, que é pesquisador da Unitau (Universidade de Taubaté) e coordenador do Nupes (Núcleo de Pesquisas Econômico-sociais), a diminuição do consumo é um dos fatores que prejudicam as empresas.

“Se não está havendo consumo, as empresas não vendem e acabam iniciando layoff, férias coletivas, demissões e até mesmo fechando. Quem sofre com este cenário são as cidades industriais, como as do Vale do Paraíba”, diz Laureano.

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