Jovem morto em recinto de leoa tinha esquizofrenia e histórico de vulnerabilidade

Gerson alimentava um sonho persistente envolvendo leões e o continente africano

Escrito por: Meon Redação2 min de leitura
Gerson foi atendido pela conselheira Verônica desde os 10 anos

Gerson de Melo Machado, conhecido como “Vaqueirinho”, de 19 anos, morreu na manhã deste domingo (30) após invadir o recinto de uma leoa no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, em João Pessoa. O jovem, que tinha diagnóstico de esquizofrenia, era acompanhado pelo Conselho Tutelar desde a infância e apresentava um histórico marcado por vulnerabilidade social, fugas e episódios de risco.

+ Receba as notícias do dia – clique AQUI para seguir o canal MEON no WhatsApp

Segundo a conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou o caso por anos, Gerson chegou a um abrigo em Pedras de Fogo aos dez anos, depois de ser destituído da guarda da mãe que também sofria de esquizofrenia e não tinha condições de cuidar dos filhos. Enquanto quatro irmãos foram encaminhados para adoção, Gerson nunca encontrou uma família adotiva.

Na adolescência e juventude, acumulou passagens pela polícia e pelo sistema socioeducativo. De acordo com a Polícia Civil, ele havia sido liberado na última sexta-feira (28) após tentar destruir caixas eletrônicos no bairro de Mangabeira. Horas depois, foi detido novamente por apedrejar uma viatura perto da Central de Flagrantes. Relatos indicam que o jovem dizia querer ser preso porque estava com fome e sem lugar para dormir.

Entre comportamentos considerados extremos, Gerson alimentava um sonho persistente envolvendo leões e o continente africano. “Ele dizia que queria ir para a África domar leões”, contou Verônica. Em uma das ocorrências mais surpreendentes, o jovem chegou a ser encontrado escondido no trem de pouso de um avião, acreditando que o destino seria a África.

No episódio deste domingo, Gerson escalou a estrutura lateral da jaula da Leona, invadiu o recinto e acabou atacado fatalmente.

A conselheira afirmou que a equipe tentou diversas vezes obter o laudo oficial sobre o quadro psiquiátrico dele, mas a documentação sempre classificava sua condição apenas como “problemas comportamentais”, o que dificultou o acesso a tratamento adequado.

Tags:destaquerotativovale do paraíbaPublicado em: