Legacy: sindicato questiona Embraer sobre migração de produção

Empresa confirma que abrirá uma segunda linha de montagem nos EUA

Escrito por: Rodrigo Ribeiro3 min de leitura
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Sindicato questiona Embraer sobre migração da produção do Legacy

Divulgação/Embraer

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região informou que irá procurar a direção da Embraer para que sejam esclarecidas as informações divulgadas na última sexta-feira (7), pela agência de notícias Reuters, sobre a migração da produção do jato executivo Legacy 450/500 para os Estados Unidos. Nesta quinta-feira (13), a entidade protocolou na empresa um pedido de reunião.

De acordo com o sindicato, “a informação contraria o que foi dito pelo diretor de Relações Trabalhistas e Sindicais da Embraer, Eugênio Calil, em reunião realizada com o vice-presidente do sindicato, Herbert Claros da Silva, na última terça-feira (4)”.

Na ocasião, o dirigente sindical questionou à empresa se eram verídicos os rumores sobre a transferência da produção do Legacy para a fábrica da Embraer na Flórida -e segundo o sindicato, Calil negou a informação.

De acordo com a agência Reuters, a afirmação partiu do presidente de aviação executiva da Embraer, Marco Túlio Pellegrini, e a primeira entrega do jato está prevista para o fim de 2016.

Atualmente, a Embraer possui uma linha de montagem dos jatos executivos Legacy 450 e Legacy 500 instalada em São José dos Campos. Em nota, a empresa não comentou sobre uma possível transferência e informou que uma segunda linha de produção será construída nos Estados Unidos.

“A Unidade de Melbourne, na Flórida, EUA, está sendo ampliada para abrigar uma segunda linha dedicada à montagem final dos Legacy 450/500. A expansão está prevista para ser concluída em meados de 2016, com a primeira entrega prevista para o final daquele ano”, diz a nota.

A Embraer informou ainda que outras unidades da empresa e uma terceirizada, que já participam da produção da aeronave, continuarão atendendo às duas linhas de montagem.

“As estruturas das aeronaves Legacy 450/500, fabricadas nas unidades da empresa em Botucatu (SP) e Évora, em Portugal, atenderão às duas linhas de montagem. A fuselagem traseira desses modelos fabricada pela empresa Sobraer, em Jacareí, também atenderá às duas linhas”.

Segundo o sindicato, a produção do Legacy em São José envolve diretamente cerca de 800 trabalhadores, sem contar os funcionários da cadeia de fornecedores. Para a entidade, se for confirmada, a transferência colocará em risco o emprego dessas pessoas.

“Vivemos um momento em que milhares de trabalhadores brasileiros estão perdendo seus empregos. Além disso, parte da produção do Legacy é financiada pelo governo federal, por meio do BNDES. Essa transferência é mais uma etapa da política de desnacionalização das aeronaves adotada pela Embraer. Vamos pressionar o governo para que sejam tomadas medidas concretas que impeçam essa mudança”, afirma Herbert Claros.

Apesar de não confirmar uma possível transferência, a Embraer concluiu a nota informando que “o futuro balanceamento do volume de produção entre as duas linhas dependerá das condições de mercado”, diz o comunicado.

Transferências
Este ano, o sindicato informou que a fabricação dos jatos executivos Phenom, produzido em São José, será transferida para os Estados Unidos a partir de 2016. De acordo com a entidade, a mudança faz parte de uma estratégia de mercado e do projeto de ampliação do espaço físico da matriz da fábrica, em São José.

A Embraer também contratou uma consultoria para promover a transferência de funcionários com funções administrativas hoje alocados em São José, para o escritório da empresa na capital paulista.

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