Levantamento de larvas do mosquito da dengue coloca São José em alerta

Escassez de água nos reservatórios influencia no aumento de criadouros

Escrito por: Do Meon4 min de leitura
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20150225_dengue sjc_(Divulgação/PMSJC)

Escassez de água nos reservatórios influencia no aumento de criadouros

Divulgação/PMSJC

O resultado da mais recente ADL (Avaliação de Densidade Larvária), que determina o grau de infestação do mosquito Aedes aegypti nas residências, indica que a situação em São José dos Campos está no nível de alerta. O levantamento feito pela Secretaria de Saúde mostra que esse índice, denominado Índice de Breteau, está em 1,1 – um décimo acima do limite aceitável pelo Ministério da Saúde, que é 1,0.

Com base nos dados levantados, a prefeitura inicia neste sábado (28), às 9h, uma série de ações nas regiões de maior risco. A primeira será a região central (Bela Vista, Vila Maria, Vila Nova São José, Vila Santos, Vila Paganini, Jardim Jussara, Vila Kennedy, Corinthians, Martins Pereira), onde foi registrado o maior número de casos. Desde o início do ano, 38 pessoas dessa região ficaram doentes.

De acordo com Secretaria de Saúde, na ação deste sábado, serão recolhidos os objetos que podem acumular água. Durante os trabalhos, os agentes irão passar de casa em casa orientando e auxiliando os moradores a recolher os criadouros que podem ser descartados, além da aplicação de larvicida em criadouros fixos. Um caminhão passará recolhendo todo o material.

“Será uma força tarefa para tentar diminuir o número de criadouros na cidade. Por isso, é importante que a população participe e colabore. Nas outras semanas, outras regiões da cidade serão alvo”, disse CCZ (Centro de Controle de Zoonozes), Margarete Correia.

Alerta
De acordo com a secretaria, embora o levantamento não aponte uma situação grave, o quadro é preocupante porque revela que “os moradores estão baixando a guarda num momento em que a atenção deveria ser total, já que o período é mais crítico, com todas as condições favoráveis para a proliferação do mosquito presentes: muito calor e dias chuvosos”, diz a pasta em nota.

Segundo a secretaria, o número de recipientes em condições favoráveis para o Aedes aegypti também aumentou. O índice de recipientes ficou em 3,2 -o maior dos últimos cinco anos na cidade.

“Apesar de toda a campanha de conscientização, as pessoas continuam acumulando lixo e recipientes que podem reter água em casa, sem o mínimo de cuidado. Isso é um prato cheio para a dengue”, disse a gerente do CCZ.

Recipientes preocupam
Dos recipientes encontrados, o principal ainda é o pratinho de planta, seguido por pneus e, em terceiro lugar, os tambores, potes e latas usados para armazenamento de água da chuva ou água de reuso. Segundo a secretaria, embora tradicionalmente esse tipo de criadouro seja mais encontrado na região leste, agora passou a ser adotado em outras regiões, devido à escassez de água dos reservatórios.

“Todos podem armazenar água da chuva ou de qualquer outro lugar. Mas é importante que alguns cuidados sejam tomados para que o tiro não saia pela culatra e se acabe criando mosquitos. A orientação é tampar bem esses recipientes”, disse Margarete.

A região com maior concentração de recipientes que podem acumular água foi uma parte da região sul, compreendida pelos bairros Campo dos Alemães, Colonial, D. Pedro, Jardim Imperial e Residencial União, onde o índice ficou altíssimo: em 5,8.

A avaliação foi a primeira realizada em 2015 na cidade. Foram vistoriados 13.374 imóveis, no período de 12 a 26 de janeiro, e encontrados 13.568 recipientes que poderiam servir como possíveis criadouros. De acordo com a secretaria, o mais grave é em mais da metade dos recipientes havia água parada e limpa.

Breteau
O Índice de Breteau é a relação entre o número de recipientes com larvas do Aedes aegypti (recipientes positivos) pelo número de imóveis pesquisados. Esse índice é utilizado para determinar a infestação do mosquito, possibilitando a avaliação da situação de risco na transmissão da dengue.

Em 2014, São José dos Campos registrou 816 casos de Dengue (606 autóctones e 210 importados). Neste ano, até agora, foram registrados 193 casos (122 autóctones e 71 importados).

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