Líderes do MBL nacional discutem políticas públicas em São José
Encontro com Kim Kataguiri e Fernando Holiday será neste sábado (5)


Thomaz Henrique Barbosa durante manifestação em São José dos Campos
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A PEC 241, as reformas trabalhista e previdenciária, as invasões das escolas e sua motivação partidária, a ação política do MBL (Movimento Brasil Livre) na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e em todo o país, além da ocupação de espaços na política para mudar a realidade populista, autoritária e burocrata.
Tudo isso acima vai ser discutido por representantes e coordenadores regionais e nacionais do MBL na região na tarde deste sábado (5), na Câmara Municipal de São José dos Campos. Pelo menos 360 pessoas confirmaram presença no encontro com os coordenadores nacionais, Renan Santos e Kim Kataguiri, escolhido pela revista Time como um dos 100 jovens mais influentes do mundo.
O vereador eleito em São Paulo, Fernando Holiday (DEM), também participará da reunião na cidade. Ele falará sobre a importância da ocupação de espaços e da ação política para a transformação da sociedade ao lado do youtuber Arthur do Val.
O coordenador regional do MBL, Thomaz Henrique Barbosa, de 25 anos, aceitou o convite para falar com o Meon sobre a visita dos líderes, as ações do grupo na região e o ‘comportamento’ dos integrantes do movimento no cenário político a partir do próximo ano.
Formado em comunicação social pela Univap (Universidade do Vale do Paraíba) e pós graduando em ciência política, Thomaz coordena o MBL por se identificar com as mudanças na política que o movimento busca. “Sou um jovem idealista e quero dar minha contribuição para que as coisas melhorem”, disse.
Leia abaixo a entrevista na íntegra.
Meon: O que você espera do encontro? Como será a participação do MBL de São José?
Thomaz: Espero que seja uma celebração da democracia, com membros do movimento e joseenses debatendo em alto nível e respeito. Todos serão bem-vindos. Nós, do MBL São José, estaremos atentos na organização para que tudo corra bem, além de participarmos de alguns debates, representando o ponto de vista municipal.
Meon: Qual é a participação efetiva do MBL nas políticas públicas de São José?
Thomaz: Nosso grande objetivo é melhorar a política, levar as pautas e o debate público à direção certa, escutando o pulso das ruas. Menos dinheiro e poder nas mãos dos políticos, por exemplo. Dar autonomia e protagonismo ao cidadão, ao invés de deixar todas as decisões nas mãos da classe política. Neste ano, além das maiores manifestações da história, organizamos atos na Câmara para cobrar responsabilidade com o dinheiro público; protocolamos denúncia de improbidade administrativa contra o atual prefeito, pedindo sua cassação; além de impedirmos o prosseguimento de leis que visavam proibir aplicativos como o Uber, algo que deve voltar à pauta em breve. Tudo através de um grupo de jovens sem figurões ou grandes recursos por detrás. Queremos mostrar que a política é algo tangível e que se nos mobilizarmos, podemos mudar a realidade suja e irresponsável da política atual.
Meon: E na RMVale?
Thomaz: Além das manifestações — as maiores da história em nossa região — tivemos uma ação ostensiva de fiscalização em São José, com ações nas ruas, nas galerias da Câmara, mas, sobretudo, através das redes sociais. Promovemos ato contra a compra de cadeiras pelos vereadores por entendermos que o preço era acima da realidade de mercado, denunciamos a irresponsabilidade fiscal do prefeito Carlinhos em um episódio marcado pela truculência da militância divergente, além da omissão dos vereadores em fiscalizar. Barramos o avanço de leis que pretendiam restringir e inviabilizar aplicativos como o Uber em nossa cidade, algo que deve voltar à pauta e que novamente contará com nossa atenção. Tudo só foi possível com a adesão popular. Assumi a coordenação regional este mês e planejo abrir núcleos em outras cidades do Vale para que o trabalho de fiscalização e proposição de pautas positivas possa se espalhar a partir do ano que vem.

MBL na galeria da Câmara de São José
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Meon: O MBL participa efetivamente do cenário nacional da política. Como foi o comportamento coletivo e a política direcionada da organização nível nacional?
Thomaz: Cada núcleo municipal do movimento opera de forma autônoma. Costumo brincar que levamos o federalismo que defendemos para o Brasil para lidar com a independência e a gestão de cada grupo em seu município. Nosso comportamento foi o de convocar e organizar as manifestações, além de escutar os novos anseios do povo, que se traduziram nessas eleições municipais. Foi lá que ouvimos que o povo quer menos dinheiro na mão de político e o fim de mordomias como o foro privilegiado, por exemplo. É por isso que falar em privatização já não é mais tabu, porque o povo entendeu que empresa pública é, desculpe o termo, ‘teta’ para político. O direcionamento nacional é uma confluência de pautas e ideias em comum, que se dá de forma muito horizontal.
Meon: E agora, como o MBL deve se relacionar com os novos gestores públicos, que assumem os comandos municipais?
Thomaz: De forma propositiva. Os grandes atos e manifestações foram necessários naquela conjuntura do impeachment, hoje já é possível sentarmos e levarmos nossas pautas adiante através do diálogo. É claro que manteremos nossas máquinas ligadas para fiscalizar e denunciar o que for preciso, mas para avançarmos com nossas pautas e ideias, é preciso dialogar e participar das mesas de decisões.
Meon: Como será a atuação exclusivamente em São José dos Campos?
Thomaz: A fiscalização aos poderes permanece. Caso seja necessário, estaremos nas galerias e na página do Facebook denunciando as mazelas dos governantes. No entanto, nosso intuito é de melhorar a política local. Se pudermos fazê-lo através da participação e do diálogo, será nossa opção.
Meon: Na opinião do MBL, quais os principais desafios de São José no que se diz respeito às atuais políticas públicas na cidade?
Thomaz: Saúde pública, educação e mobilidade urbana. Acreditamos que serão os três principais temas da próxima gestão e legislatura.
Meon: Qual é a valiação que você faz sobre as áreas da educação, saúde e transporte em São José?
Thomaz: Nossa mensagem é ousada, mas fundamental para discutirmos uma real melhora da educação, sobretudo a de base. A obrigação do poder público é prover o acesso aos serviços, e não necessariamente oferecê-los. Passou o tempo em que o povo acreditava em político populista dizendo que melhoraria saúde e educação construindo hospitais e escolas, afinal, atender essa demanda não tem nada a ver com erguer mais um prédio e arcar com seu funcionamento, geralmente precário como é hábito no serviço público. Garantir o direito à educação é prover ao jovem o acesso à escola, e por que não às escolas privadas? Em nossas contas, a manutenção (uniforme, merenda, material escolar, estrutura predial) de um estudante numa escola pública sai mais caro, e dá menos retorno educacional, do que subsidiá-lo em uma escola privada, por exemplo. Além do retorno intelectual, integramos crianças e jovens de diferentes classes sociais, combatendo preconceitos. Nossa mensagem é de desburocratizar e desonerar aqueles que querem abrir escolas, deixar o mercado agir, e firmar parcerias com a iniciativa privada para atender aos mais carentes.
A saúde funcionaria melhor se fosse adotado modelo parecido. Há, por exemplo, em São José, hospitais e instituições que já prestam um serviço de excelência no atendimento médico, por que não subsidiá-los para que possam atender a quem precisa? Apoiar projetos como o Próvisão ou a Santa Casa, por exemplo, deve ser prioridade para o gestor público que pensa na saúde, e não construir mais um prédio e sucateá-lo.
No transporte, acreditamos que a melhor alternativa está distante. O povo quer bons serviços por um preço justo, mas na lógica atual em São José, o que temos é uma concessão pública a apenas três empresas onde o preço é definido por canetada, numa espécie de cartel chancelado pelo Estado. Nunca vai funcionar. Passe livre, por exemplo, é cobrar ainda mais caro através de impostos e pôr mais dinheiro nas mãos da classe política. Acreditamos no passe livre — do Estado. Ou livre dos políticos. Nossa proposta é concorrência, tanto no transporte coletivo, como para os táxis com a chegada de aplicativos como o Uber. Somente com ampla concorrência haverá estímulo para melhorar os serviços e disputar clientes oferecendo um preço baixo. Sabemos que há contratos a serem cumpridos e um longo caminho a percorrer para que isso mude, mas somos gradualistas e por isso acreditamos em dar nossa contribuição.

Integrantes do MBL de São José
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Meon: Qual é avaliação do movimento sobre a atual administração de São José?
Thomaz: Uma tragédia administrativa. O prefeito Carlinhos parou no tempo, sustenta políticas públicas ultrapassadas e que nunca deram certo em lugar nenhum do mundo. É mais um exemplo do político populista e carreirista sem responsabilidade fiscal ou austeridade, adepto da gastança eleitoral. O povo não quer mais isso, vimos as consequências com a presidência de Dilma.
Meon: O que o MBL espera da futura gestão do município?
Thomaz: Gestão com planejamento, austeridade fiscal e estímulo ao empreendedorismo e geração de empregos. Espero que o Felício mantenha a sinceridade com que venceu a eleição e seja verdadeiro com o povo, dizendo o que dá e o que não dá para fazer, sem demagogia. Sabemos que a saúde financeira do município não é das melhores, portanto teremos a responsabilidade de sermos propositivos e ajudá-lo nesta retomada.
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