Manifestações em São José: do militarismo ao medo do comunismo

Quais são as bandeiras dos joseense que foram às ruas neste domingo(15)?

Escrito por: Elaine Rodrigues4 min de leitura
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Entre os milhares de homens e mulheres que decidiram ir às ruas manifestar contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT), neste domingo (15) em São José dos Campos, haviam pessoas de todos os tipos, ideologias partidárias e apartidárias, com propostas variadas para o Brasil, divergentes até mesmo, mas todos concordavam que não há mais lugar para a corrupção no país.

Era possível ver muitos casais de idosos, senhores e senhoras já com os cabelos brancos, com buzinas, apitos e cartazes em punho. No olhar, um brilho de esperança, que diziam vir da possibilidade de se manifestarem, expressarem sua insatisfação.

“Vim aqui para lutar, para tentar libertar o Brasil do Partido dos Trabalhadores e do comunismo que ele quer impor. Tenho medo que a Dilma implante o comunismo. Agora com toda a certeza, estou aqui para lutar contra a corrupção”, disse o engenheiro Moisés Castelo Branco da Silva, 73 anos.

Os jovens também marcaram presença nas ruas de São José. Ao serem questionados sobre o porquê estavam ali, muitos diziam: contra a corrupção, contra a Dilma, contra essa roubalheira. As respostas eram quase em coro, sempre neste sentido.

“Não dá mais para vermos toda esta corrupção, essa cara de pau dos políticos e não fazermos nada. Eu quero ver todos esses ladrões pagando pelo que fizeram, quero que o PT saia, porque perdeu a moral ao permitir que tudo isso acontecesse e quero ver ordem neste país”, afirma a fisioterapeuta Alana, 29 anos.

Havia ainda grupos que defendiam a volta do militarismo. Com faixas e brados contra o governo e contra a corrupção. “Os militares têm que assumir o poder porque esse país perdeu o rumo. Está uma zona, uma bagunça. Precisamos de intervenção militar já, porque falta vergonha na cara destes nossos políticos. Vivemos presos dentro das nossas casas. A educação está uma vergonha. Quando eu era criança, na ditadura militar, escola pública era muito melhor que particular. Tinha aulas de arte, como piano, entre outras. Não se compara ao que temos hoje, nessas péssimas condições”, defende um homem que pediu para ser identificado apenas como Ricardo, 48 anos.

Apesar de tantas idéias diferentes, a manifestação na Praça Afonso Pena foi pacífica. Houve médicos que bradaram pela Saúde, biólogos pedindo clareza na situação da água, entre outros.

Durante uma única briga que aconteceu durante o ato, as pessoas ao perceberam o tumulto se sentaram no chão e chamavam pela PM, apontando onde estavam os baderneiros, que foram presos em menos de cinco minutos.

Dutra
Ao final do protesto no centro da cidade, por volta das 17 horas, os manifestantes começaram a discordar da organização do ato, que agradecia e pedia que todos voltassem para suas casas. Mas apesar dos pedidos, um grande grupo de mais de três mil pessoas seguiram da praça Afonso Pena para a via Dutra.

“Dutra, Dutra, Dutra”, bradavam enquanto andavam. Do alto do caminhão de som, que ficava para trás, os organizadores alertavam: “Não foi isso que combinamos com a Polícia. Esse é um evento feito para a família participar. Quando convocamos as pessoas garantimos que não iríamos colocar idosos e nem crianças em risco e é por isso que estão aqui”.

Mesmo assim, a Dutra foi bloqueada, por volta das 17h15 e ficou parada até as 18h45, quando a tropa de choque da PM, baseados em uma ordem judicial, retirou com uso da força e de bombas de efeito moral, os manifestantes da rodovia, liberando o tráfego.  Segundo a PM, doze homens foram presos, por resistirem a ação e foram encaminhados para o 1º DP de São José dos Campos e após ouvidos, mediante fiança, foram liberados.

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