Mesmo sem acordo, trabalhadores da Embraer suspendem greve em S. José
Os trabalhadores da Embraer de São José dos Campos aprovaram em assembleia a suspensão da greve e retornaram às atividades nesta segunda-feira (10). Cerca de 10 mil funcionários da unidade estavam de braços cruzados desde a última quarta-feira (5), após recusarem a proposta de 7,4% de reajuste salarial apresentada pela empresa.


Parte dos trabalhadores contrários à greve se vestiram de azul
Rodrigo Ribeiro/Meon
Os trabalhadores da Embraer de São José dos Campos aprovaram em assembleia a suspensão da greve e retornaram às atividades nesta segunda-feira (10). Cerca de 10 mil funcionários da unidade estavam de braços cruzados desde a última quarta-feira (5), após recusarem a proposta de 7,4% de reajuste salarial apresentada pela empresa.
Durante a reunião, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região sugeriu fazer plebiscito pelo fim da paralisação, mas a proposta foi rejeitada. Na sequência os trabalhadores aprovaram a suspensão da greve e também decidiram que a categoria vai entrar na justiça por dissídio coletivo contra a Embraer.
Apesar da volta ao trabalho, a proposta mantida pela Embraer e pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que representa as empresas do setor, durante a última rodada de negociação não foi aceita. O sindicato reivindica 10% de reajuste -o que representa 3,43% de aumento real nos salários-, além do congelamento do convênio médico -que pode dobrar de preço- e estabilidade no emprego.
A greve não atingiu os trabalhadores da fábrica da Embraer, no distrito de Eugênio de Melo em São José dos Campos, no entanto, a entrada na unidade teve um atraso de três horas nesta segunda-feira. Ao todo, são 13 mil funcionários da empresa na cidade. Segundo o sindicato, a greve foi histórica por ser a primeira vez, desde a privatização em 1994, que aconteceu uma paralisação por tempo indeterminado.
Esta é a segunda vez em duas semanas que os funcionários da Embraer cruzam os braços. No dia 21 de outubro, cerca de 10 mil trabalhadores paralisaram as atividades por 24 horas. Além da Embraer, metalúrgicos de outras cinco fábricas do setor aeronáutico também já rejeitaram a proposta de 7,4%: Latecoere, Graúna, Sobraer, Sopeçaero e Alestis.
Abordagem
A Embraer critica a forma como o sindicato abordou os funcionários da empresa, alegando que os trabalhadores não tiveram o direito de ir e vir e que o sindicato usou da força física e bloqueou todas as portarias da fábrica.
“A diretoria da Embraer decidiu que não vai descontar os quatro dias parados dos funcionários grevistas, por entender que os mesmo foram impedidos de entrar nas plantas de Eugênio de Melo e São José pelo Sindicato dos Metalúrgicos, e por isso não devem ser penalizados”, diz nota da companhia.
O vice-presidente do sindicato, Herbert Claros da Silva, nega a abordagem citada pela empresa. “Desconhecemos qualquer tipo de abordagem nesse sentido, não teve nenhum incidente, nenhuma ocorrência ou agressão, foi e está sendo tudo muito tranquilo, inclusive, essa é uma greve como o sindicato nunca viu na vida”, diz.
Contra a greve
Após a paralisação, foi criado no Facebook um grupo fechado chamado “Sou Embraer e NÃO estou em greve. Fui impedido de entrar da fábrica”, que já conta com 4.184 mil membros. Por meio da rede social, os integrantes combinaram para que todos aqueles que não concordam com a greve, fossem vestidos de azul na assembleia desta manhã.
Segundo dois trabalhadores que não quiseram se identificar, a maior parte dos funcionários presentes na assembleia estavam de azul. “Este grupo não é uma iniciativa da liderança Embraer, é dos funcionários que não concordam com a greve e estão indignados com a atitude do sindicato de desrespeitar o direito de ir e vir das pessoas. Vamos mostrar quantos somos!”, diz a especificação do grupo na rede social.
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