Moradores de rua deixam o crack e voltam para a família em São José

Para o ex-morador de rua Patrick Rosso Rodrigues, 33 anos, a manhã desta quinta-feira (4) foi o começo de uma nova vida. Depois de seis meses internado na comunidade terapêutica Nova Esperança para se livrar do vício em crack, recebeu alta e pretende reconquistar a confiança da família.

Escrito por: Elaine Rodrigues3 min de leitura
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Para o ex-morador de rua Patrick Rosso Rodrigues, 33 anos, a manhã desta quinta-feira (4) foi o começo de uma nova vida. Depois de seis meses internado na comunidade terapêutica Nova Esperança para se livrar do vício em crack, recebeu alta e pretende reconquistar a confiança da família.

“Dos últimos 20 anos, 11 eu passei preso por causa de tráfico. Eu não queria roubar e não conseguia trabalhar, só queria usar drogas. Traficar era a forma mais fácil de conseguir o dinheiro. Eu ganhava R$ 400 por semana, contudo, acabei com metade da minha vida até agora. Não conheci meu filho, me afundei e acabei morando na rua. Agora quero recomeçar”, conta Rodrigues.

Nascido em Santa Isabel, Rodrigues se mudou aos 9 anos de idade com seus pais para São José dos Campos. Antes de completar o ensino fundamental, aos 13 anos, começou usar drogas e não parou mais.

“Já usei maconha, cocaína, heroína até chegar no crack. Da última vez que saí da penitenciária, em 2006, tentei trabalhar no lava-rápido do meu irmão, mas voltei para o crack. Nos dias antes de ser internado aqui, estava bebendo etanol porque o crack não fazia mais efeito. Se não viesse para cá iria morrer”, afirma.

Rodrigues vivia nas ruas do centro de São José. Em março de 2014 pediu ajuda no Albergue Municipal, onde dormia algumas vezes na semana. “Ele disse que não aguentava mais, que iria morrer e queria deixar o vício. Como era morador de rua, o encaixamos no projeto Acolher e encaminhamos para a comunidade terapêutica”, explica a assistente social Marley Leal da Rocha.

Acolher
Em fevereiro deste ano, a Secretaria de Desenvolvimento Social lançou o programa Acolher, que oferece internação para dependentes de álcool e drogas que moram na rua e reinsere essas pessoas na sociedade. Além das internações, o programa também presta apoio após a recuperação dos pacientes, com moradia em repúblicas e qualificação profissional.

“É uma ação pioneira no Brasil que integrou os serviços em uma ação conjunta de diversos órgãos. Isso é o que traz o resultado positivo. Também investimos em uma equipe de abordagem especial, só para esse programa e deu certo”, diz o secretário de Desenvolvimento Social, Luiz Jacometti.

A equipe de abordagem visita as regiões da cidade e tenta convencer os moradores de rua que usam drogas a aceitarem tratamento gratuito. Em três operações, 56 pessoas aceitaram a internação na Comunidade Terapêutica Nova Esperança. Dessas, 23 já receberam alta e voltaram a conviver com a família ou nas repúblicas do programa.

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