Movimento “Balsa Livre” pede liberação na travessia entre São Sebastião e Ilhabela; veja o vídeo
Município diz que restrições foram estabelecidas para salvar vidas








Cerca de 200 moradores de Ilhabela se reuniram na entrada da balsa na tarde deste sábado (13), exigindo a liberação da travessia São Sebastião/Ilhabela. Eles argumentam que têm o direito de ir e vir conforme determina a lei e que não é justo que sofram com a arbitrariedade da prefeitura municipal, que tem restringido o serviço.
Contam que há mais de 70 dias enfrentam dificuldades como ir a médicos, fazer exames ou ver familiares. Uma das integrantes do movimento, Francisca Isabel de Miranda afirma: “Sou moradora há mais de 20 anos, isto é um absurdo, não existe uma coisa dessas. Nós temos direito de ir e vir, nós pagamos nossos impostos e queremos nossa liberdade”.
Questionada pela nossa equipe se já procurou solução junto à prefeitura, ela afirma: “A prefeitura sempre nega (referindo-se à autorização para sair e retornar) e eu já vi vários casos em que pessoas, portando uma nota fiscal, entram e saem, sem nem mesmo serem questionadas. Nós, que somos moradores e estamos tomando todos os cuidados, não podemos sair. Temos médicos, dentistas e não podemos sair porque senão não podemos retornar”.
Com um grande cartaz, outro morador protesta: “A travessia da balsa não é uma barreira eficiente, é uma barreira seletiva, uns entram e outros não. Barreiras sanitizantes rígidas e liberação da balsa”.
Um empresário do ramo de alimentação, que prefere não se identificar, reclama do alto preço cobrado pelos produtos nos mercados: “Os preços estão exorbitantes e não podemos ir à São Sebastião fazer compras, onde economizaríamos mais de 50% do valor que somos obrigados a despender na Ilhabela”.
O ex-prefeito de Ilhabela, Antônio Colucci também se manifestou sobre essa situação que ele considera exagerada e inconstitucional. Disse ainda que isso estaria incentivando a travessia com embarcações de forma irregular, os chamados coiotes do mar.
“O que estão fazendo é uma barbaridade, que prejudica a cidade, até porque proíbe o morador de segunda residência que está disposto a cumprir a quarentena, dentro das regras rígidas, deixando de movimentar o nosso comércio, nossos mercados, padarias e restaurantes que entregam delivery. Uma medida que prejudica o comércio e a geração de empregos.
Ele ainda complementa explicando que a travessia deveria ser liberada, fazendo um controle sanitário: “Eu me posiciono pela necessidade de um barreira sanitária rigorosa em torno da balsa, controle das pessoas, aferição da temperatura. Não sou a favor da abertura da balsa para que todos possam entrar, mas nada parecido com o que o atual governo faz, principalmente com os moradores que se sentem presos na cidade. É um cadeião Ilhabela, hoje”.
Prefeitura esclarece restrições
Em nota oficial, a prefeitura de Ilhabela afirma que “as regras de restrição à balsa no município foram estabelecidas com base em alguns critérios claros e legais onde a prioridade é salvar vidas, cuidar da saúde da população. A vida, depois de perdida, não se recupera”.
Disse ainda que “segue todas as orientações dos profissionais de Saúde que integram o comitê de Enfrentamento da proliferação do vírus e da doença na cidade e que acata as determinações do governo do Estado de São Paulo sobre a quarentena”.
A prefeitura reafirma que os decretos que tratam das restrições não são impedimentos e “foram definidos mediante acompanhamento do Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil e levados ao conhecimento da Justiça e disponibilizados amplamente, de forma legal e transparente. Reitera que, mesmo sendo acusada de radical, vai continuar a priorizar a vida das pessoas, por entender que pior seria negligenciar a saúde, permitir o colapso no atendimento e provocar óbitos”.
Leia também: Justiça determina suspensão de testes de Covid-19 por laboratórios privados em Ilhabela
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