MP alerta para risco de Richthofen praticar novos crimes no semiaberto

O Ministério Público de Taubaté vai protocolar nesta sexta-feira (15) recurso contrário à decisão judicial da Vara de Execuções Criminais que garante o benefício do regime semiaberto para Suzane Von Richthofen. De acordo com o MP, a paulistana condenada a 39 anos de prisão por mandar matar os pais em 2002 ainda não tem consciência da gravidade do crime que cometeu e tampouco reflete com clareza as consequências do delito.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Suzane Von Richthofen pode começar a trabalhar no escritório de seu advogado

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O Ministério Público de Taubaté vai protocolar nesta sexta-feira (15) recurso contrário à decisão judicial da Vara de Execuções Criminais que garante o benefício do regime semiaberto para Suzane Von Richthofen. De acordo com o MP, a paulistana condenada a 39 anos de prisão por mandar matar os pais em 2002 ainda não tem consciência da gravidade do crime que cometeu e tampouco reflete com clareza as consequências do delito.

Para o promotor Luiz Marcelo Negrini, formula o documento, a Promotoria vai se basear em uma avaliação psiquiátrica realizada em dezembro de 2013. O teste concluiu que Suzane, que cumpre pena na Penitenciária Feminina de Tremembé, ainda não estaria apta para cumprir o restante de pena em regime semiaberto pelo risco de voltar a cometer atos criminosos.

“Os exames mostram um comportamento dissimulado e manipulador. Além disso, ela afirma ainda sentir saudade dos pais, mostrando claramente que ainda não tem consciência do tamanho do delito que cometeu. Portanto, o risco é grande dela tentar agir como já fez antes”, diz.

Entretanto, a juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani considerou o conceito positivo nas outras avaliações que também foram realizadas no exame criminológico. Atualmente a Lei de Execução Penal permite essa interpretação. De acordo com o promotor, o acusado não precisa necessariamente ser bem avaliado em todos os testes para que o juiz determine pelo regime semiaberto.

O documento elaborado pela Promotoria vai ser encaminhado ao cartório na sexta-feira. Após o período de argumentação da defesa, o recurso chega ao tribunal. Esse trâmite deve levar cerca de 15 dias.

Defesa
De acordo com o advogado de Suzane, Denivaldo Barni, o recurso da Promotoria não vai surtir efeito, já que, de acordo com o jurista, a decisão da juíza deixa claro o bom comportamento da detenta.

“A juíza deixou claro e enalteceu na decisão o ótimo comportamento da Suzane. Os irmãos Cravinhos, por exemplo, tanto no regime fechado quanto no semi aberto, tiveram péssimo comportamento, cometendo inclusive faltas graves e o MP não recorreu. Então, não deveria recorrer da decisão sobre a Suzane”, explica.

Após sua transferência para o regime semiaberto, o destino de Suzane pode ser inclusive trabalhar como auxiliar de escritório para o advogado, que é amigo da família. O trabalho renderia à detenta o vencimento de um salário mínimo.

Saída
A SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) informou, por meio de nota, que ainda não recebeu comunicação da Penitenciária Feminina de Tremembé informanto a concessão do benefício.

Apesar da medida judicial ser de cumprimento imediato, a transferência da detenta ainda depende de questões burocráticas. De acordo com a promotoria, Suzane só vai ser liberada após constatada a disponibilidade de vagas. Ainda não foi divulgado para qual unidade de regime semiaberto Suzane seria transferida.

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