Mulheres em campo: o futebol feminino em ascendência na região

Os dois maiores times da região contam com fortes times femininos que representam a região em campeonatos nacionais e internacionais

Escrito por: Vinicius Assis4 min de leitura
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Rafael Citro/E.C. Taubaté
São José e Taubaté contam com equipes fortes no futebol feminino (Rafael Citro/E.C. Taubaté)

Já faz tempo que futebol deixou de ser um esporte exclusivamente masculino. Dentro de campo, muitas mulheres estão provando ao mundo que tem talento de sobra com a bola nos pés. Elas vêm ganhando cada vez mais espaço nos holofotes do esporte.

No Vale do Paraíba não é diferente, São José e Taubaté se mostram interessados em investir no futebol feminino, que vem mostrando resultado nos últimos anos.

No São José E.C. o futebol feminino começou em 2001, quando a prefeitura da cidade resolveu montar um time para a disputa do Jogos Abertos do Interior, mas pelo bom desempenho da equipe, o time da prefeitura se uniu com a Águia. Em 2010 a equipe surpreendeu no Campeonato Paulista e chegou à final da competição, mas acabou sendo derrotado pela forte equipe do Santos.

Já em 2011, a equipe conquistou o continente ao vencer a Copa Libertadores, superando as chilenas do Colo-Colo no Martins Pereira. Em 2012, a boa fase se manteve, ano em que a equipe venceu a Copa do Brasil e o Campeonato Paulista, já em 2013 as meninas da Águia conquistaram o bicampeonato da Copa do Brasil e da Copa Libertadores da América. O auge do time foi em 2014, quando faturou a Tríplice Coroa, com os títulos do Paulistão A1, da Copa Libertadores da América e do Mundial de Clubes. Em 2015 o time faturou mais um Campeonato Paulista.

Atualmente a equipe feminina do São José disputa o Campeonato Brasileiro Feminino na série A e o campeonato paulista da primeira divisão.

Já o Taubaté também conta com uma equipe feminina em ascendência. Em 2019 a equipe disputou a Série A2 do Campeonato Brasileiro, no que foi a primeira competição da equipe a nível nacional. As meninas do Burro da Central fizeram história e bateram na trave de conseguir o acesso para a primeira divisão, ao serem eliminadas para o São Paulo, na semifinal. Com o resultado, as meninas ficaram com a terceira melhor campanha a nível nacional.

Ainda em 2019, o Taubaté venceu a Taça da Mulher de forma invicta. Para 2020, a equipe só tem o campeonato paulista anunciado oficialmente, mas pode jogar outras competições nacionais caso receba o convite. Para disputar o campeonato, o Burro da Central conta com uma mescla de jogadoras que foram destaques no ano passado com novas atletas da base e algumas contratações. No elenco de 19 atletas, cinco são da base do time, nove remanescentes e cinco novidades.

Para Ionara Ferreira, meio campista do Taubaté e uma dos destaques da equipe, o esporte feminino tem muito a crescer, não apenas no futebol. “O vale é muito grande, tem muitos talentos, não só para o futebol, mas outras modalidades também. Primeiro ponto de melhoria seria mesmo na visibilidade, poderia ter mais jogos transmitidos, mais anúncios, valorização, e tem a parte financeira que é um ponto que deveria ser muito melhor, pois as mulheres tem condições”, afirma a meio campista que desde 2014 defende o Burro da Central.

Já para Geisi Fiorotti, que também atua como meia e é cria da base do São José, a visibilidade vem aumentando, mas ainda falta muito para a igualdade com o futebol masculino. “Ainda existe um grande abismo seja na divulgação, na parte econômica, em tudo, a visibilidade é que tem melhorado cada vez mais, [campeonatos] Paulista, Brasileiro, Copa do Mundo, o futebol feminino está sendo visto, e isso é importante para que as pessoas entendam que o futebol feminino é muito mais amor”, afirma.

Com apenas 19 anos e há dois anos e meio atuando pela Águia do Vale, Geisi também contou o que espera do futuro do futebol feminino. “Minha expectativa é que a modalidade cresça, que cada vez mais as pessoas incentivem as filhas a praticarem o esporte, que a nova geração continue a lutar para que cresça cada vez mais. Acredito que com a valorização, com a divulgação, com as pessoas prestigiando no estádio é a melhor forma de buscar a igualdade com o masculino”, conta.

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