Musa do Carnaval carioca lança biografia sobre sua história de fé

Veja a trajetória de Maria Lata D’Água de passista a missionária católica

Escrito por: Marcus Alvarenga3 min de leitura
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“Meu coração dizia que aquele seria o último Carnaval do qual participaria”, revela Maria Mercedes Chaves Roy na biografia ‘Lata D’Água na cabeça – Da Passarela ao Sacrário’, recém-lançado em Cachoeira Paulista. Hoje com 83 anos, ela divide as suas experiências de fé e de vida com leitores de todo mundo.

Maria Mercedes Chaves Roy na biografia ‘Lata D’Água na cabeça – Da Passarela ao Sacrário’ (Arquivo Pessoal)

Maria Lata D’Água no Sambódromo

Arquivo Pessoal

A ex-passista de escola de samba e atual missionária da comunidade Canção Nova, traz a sua história a público depois de 27 anos longe da avenida e de aproximação com Deus.

“Eu achei que essa história seria um testemunho para muitas pessoas que, diante de muitas coisas que vivem, desanimam ou não sentem que há o perdão e a misericórdia. Precisamos lembrar sempre das palavras da oração do Pai Nosso”, conta a autora do livro Lata D’água na cabeça – Da passarela o Sacrário.

Maria que hoje vive em Cachoeira Paulista, mas nasceu em Diamantina, no interior de Minas Gerais, e aos 11 anos conheceu o Rio de Janeiro, se tornando na década de 70 no ícone do Carnaval carioca. Ela foi musa inspiradora da marchinha ‘Lata d’água na cabeça’.

“Na avenida, saía dançando apenas nas pontas dos dedos. Ajoelhava e sentava no chão, esticava as pernas e sentava nos pés como uma bailarina, equilibrando a lata apenas com o pescoço. Não deixava cair nenhuma gota de água para fora!”, relembra.

Toda a sua trajetória desde a chegada a uma nova cidade, a infância como moradora de rua, a vivência da prostituição, o luxo do Carnaval e a decisão em se aproximar da religião, estão retratadas na páginas do livro. A missionária afirma que até os amigos próximos vão se surpreender com momentos da sua história.

“Muitas pessoas me conhecem, mas não sabiam de muitos momentos difíceis que passei. Mesmo a minha família deve estar tomando o maior susto. Eles só sabem que eu fui “sem-vergonha”, mas não sabem o preço que paguei por isso”, destaca as revelações que hoje são apenas lembranças de uma nova vida.

Maria Mercedes Chaves Roy na biografia ‘Lata D’Água na cabeça – Da Passarela ao Sacrário’ (Divulgação/Andreia Britto)

“Hoje, levo a Água Viva, a Palavra de Deus”

Divulgação/Andrei Britto

“Assim como eu não conhecia o amor de Deus, muitos podem não ter tido ainda essa oportunidade. Quero levar ao leitor a mensagem de que nós precisamos confiar em Deus, somos filhos d’Ele, que nos ama e cumpre o que promete”, diz Maria, que iniciou o caminho vocacional em 2001 e em 2004 passou a viver em Cachoeira Paulista, após se tornar missionária.

A vida dentro do Sambódromo ficou para trás, mas a alegria que Maria Lata D’Água distribuía na avenida continua presente, tornando uma “sambista de Deus”, segundo os colegas da comunidade.

“Na escola de samba, eu carregava água pura na lata. Hoje, levo a Água Viva, a Palavra de Deus e o terço.”.

O livro biográfico ainda conta outros momentos de sua vida como a gravidez aos 16 anos, seguida da morte repentina do seu filho aos dois meses de vida. A publicação traz as verdadeiras histórias da turnê na Europa, além de diversos relatos dos 45 anos de Sambódromo, no Rio de Janeiro, e dos 17 anos como missionária em Cachoeira Paulista.

Lata D’água na cabeça – Da passarela o Sacrário
Autora: Maria Mercedes Chaves Roy
Editora: Canção Nova
Preço: R$ 19,90

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