No último: fones de ouvido aumentam risco de perda de audição entre jovens
Andar na rua com aparelho num volume muito alto traz risco de acidente e até de assalto

Nas ruas, no ônibus ou no trabalho. Basta olhar em volta para ver ao menos uma pessoa escutando alguma coisa com fones de ouvido; às vezes, tão alto que até quem está “de fora” consegue identificar a música.
De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), adolescentes e jovens de 12 a 35 anos são os mais afetados pelos efeitos da alta exposição a ruídos. São justamente os que mais usam fones em volume altíssimo, ficam muito perto de caixas de som nos eventos e jogam videogames por muitas horas e anos.
Entre trabalhadores de fábricas, por exemplo, o dano só não é maior porque as empresas são obrigadas por Lei a oferecer condições para evitar que a audição seja danificada, como distribuir protetores e medir decibéis.
Perda irreversível da audição
A indicação da OMS é que a altura não ultrapasse os 85 decibéis, do contrário, a pessoa pode perder parte da audição e nem vai perceber, já que esse processo é lento e discreto e só é detectado com exame de audiometria.
“As principais frequências do dia a dia são médias e graves; a perda por som alto atinge primeiramente as frequências agudas, as da fala não são atingidas, inicialmente”, explica a fonoaudióloga Vanessa Mantovani, diretora técnica da Soeclin Saúde, uma clínica especializada em Medicina do Trabalho, em São José dos Campos.
A perda da audição por exposição ao som alto é irreversível, por isso, todo cuidado é pouco. “Não é o tipo de som que pode causar a perda da audição, e sim a altura somada ao tempo de exposição. Essa perda é irreversível, e quanto mais nos expomos ao som elevado, maior a perda auditiva. O aparelho não muda o sistema auditivo, não recupera as células auditivas, só amplifica o som”, alerta a especialista.

Algumas formas de evitar o problema são manter os protetores auditivos nos locais onde são obrigatórios; evitar a exposição ao som alto sem proteção; preferir usar o modelo “concha” de fone de ouvido; não usar o aparelho em apenas um ouvido e fazer pausa de 30 minutos a cada duas horas de uso.
Se, ao usar os fones, você não consegue escutar o que está acontecendo à sua volta, é sinal de que precisa abaixar o volume.
Além de prejudicar a audição, a exposição a ruídos muito altos acarreta zumbido permanente, diminuição da concentração e do rendimento, além de isolamento social, afinal, fica difícil escutar o que as outras pessoas dizem (e não são todas que têm paciência para repetir).

Risco de acidente e assalto
É muito comum se deparar com pedestres que não tiram os olhos do smartphone e nem o fone do ouvido. Como se estivessem noutra dimensão, essas pessoas não olham em volta antes de atravessar e não têm ideia se alguém está andando atrás delas. Sofrer ou provocar um acidente, ou ser vítima de um assalto, por exemplo, fica ainda mais fácil.
Ao usar fones na rua, a audição ignora os sons ao entorno; ao usar o smartphone, a visão ignora o que acontece ao redor, de modo que dois dos cinco sentidos básicos são prejudicados, explica, por fim, a especialista.
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