Nome social é adotado por transexuais em salas de aula
Guaratinguetá e São José dos Campos são as campeãs de pedidos


O uso do nome é garantido por meio de um decreto estadual
A2img/Diogo Moreira
Ter a possibilidade de escolher o próprio nome, pelo menos na lista de chamada e diários de classe. Transexuais e travestis estão adotando o nome social na rede estadual de ensino já no momento da matrícula nas escolas. O uso é garantido por meio de um decreto.
Em levantamento da Secretaria Estadual de Educação, solicitado pelo Meon, a região obteve 15 pedidos para adoção de nomes sociais. Já o nome civil, aquele que está no RG, é exclusivo apenas nos documentos externos, como transferência e histórico escolar.
De acordo com a pasta, a medida visa promover a inclusão na rede estadual. “Os dados preliminares nos mostram que as políticas inclusivas contribuem para resgatar pessoas que, por um conjunto de fatores, estavam afastados da sala de aula. A maior parte dos estudantes com nome social está na modalidade da Educação de Jovens e Adultos. Agora, por meio do nome social e de outras políticas de inclusão, elas estão acolhidas em nossas escolas”, afirma Andrea Grecco, responsável pelo Departamento de Matrículas da Secretaria Estadual de Educação.
Registro
A cidade campeã de solicitações dos registros é Guaratinguetá, com seis matrículas, seguida de São José dos Campos, que possui cinco. Outras quatro cidades da região também apresentaram um pedido cada (Caraguatatuba, Jacareí, Pindamonhangaba e Taubaté). Os pedidos são referentes a 2015, quando houve a última atualização.
Para realizar a mudança, os interessados devem preencher um formulário. Os adolescentes menores de 18 anos devem estar acompanhados dos pais ou responsáveis.
Cristina Souto Rigotti, psicóloga e neurocoach, afirma que, por conta dos nomes de batismo, alguns jovens deixam de frequentar as escolas. Para a especialista, a medida é um grande passo. “Tem que realmente utilizar. Algumas pessoas são discriminadas e se sentem mal com o nome de batismo que é dado. Eles nem querem frequentar a escola. Esse é um avanço importante”.
Cristina comenta ainda que outros jovens podem sofrer traumas em relação ao nome. “Isso cria um trauma. A utilização do nome social é uma questão de o aluno ser respeitado e de as pessoas respeitarem as diferenças. O respeito é importante, independentemente do gênero”, completa.
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