Nova orla de Massaguaçu foca em sustentabilidade e custa R$ 3,8 mi
Apresentado recentemente à população, o projeto de reurbanização e recuperação ambiental da orla da praia de Massaguaçu, região norte de Caraguatatuba, chama a atenção pelo viés de sustentabilidade, já que prevê o plantio de espécies nativas com criação de cenários de restinga e utilização de material reciclável, além de um deck suspenso em material reciclável (pet).


Investimento previsto para nova orla é de R$ 3,8 milhões
Arte/PMC
Apresentado recentemente à população, o projeto de reurbanização e recuperação ambiental da orla da praia de Massaguaçu, região norte de Caraguatatuba, chama a atenção pelo viés de sustentabilidade, já que prevê o plantio de espécies nativas com criação de cenários de restinga e utilização de material reciclável, além de um deck suspenso em material reciclável (pet).
De acordo com Cesar Abboud, um dos arquitetos responsáveis pelo projeto e também secretário adjunto dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso da Prefeitura de Caraguá, a ideia foi pautada em cima da filosofia “ecogênese”. Criada pelo arquiteto carioca Fernando Chacel, consiste na busca de equilíbrio entre o desenvolvimento tecnológico e econômico, sem prejudicar os recursos naturais. “O ponto principal do projeto é a questão ambiental, pensamos primeiro na recuperação da área e depois em reordenar o espaço urbano”, explica.
Para isso, devem ser construídos alguns cenários de restinga com a plantação de 22 espécies diferentes de vegetação nativa e plantas frutíferas ao longo dos quase 4 km de extensão da praia. O jundu, popularmente conhecido como “escrube”, tem função muito além de ornamentar o ambiente: funciona como uma barreira natural contra a erosão decorrente das “ressacas” da maré.
12,8 mil plantas
A previsão é de que sejam plantadas 12,8 mil unidades da espécie. “Além do jundu, que é essencial para a recuperação do meio ambiente, também pensamos em criar cenários de restinga e chegamos às espécies escolhidas por meio de muita pesquisa. Uma delas é o caraguatá, que deu origem ao nome da cidade. Teremos também espécies frutíferas de restinga, como o cambuci e a pitanga”, completa Abboud.
Nos trechos onde o espaço permitir, a ideia é implantar infraestrutura com ciclovia, calçadão, bolsões de estacionamento, acessibilidade, equipamentos de ginástica, espaço para idosos e portadores de deficiência. Outra novidade é um deck suspenso, que deverá ser construído sobre as rochas, como forma de proteção aos jundus existentes no local. O projeto prevê a construção com material reciclado, à base de pet. “Aqui em Caraguá já temos um exemplo do uso desse material no Serramar Parque Shopping”, destaca o arquiteto.
Os seis quiosques da praia também vão passar por readequação e serão padronizados, segundo uma nova proposta, com redução da área de ocupação, elevação e banheiros acessíveis. De acordo com Abboud, o novo modelo obedece às especificações apresentadas no Termo de Ajuste de Conduta firmado entre o Ministério Público e os quiosqueiros, foi apresentado à Secretaria de Patrimônio da União (SPU) e obteve análise positiva para a implantação.
A Associação dos Quiosques de Caraguatatuba aprovou a iniciativa. “O projeto ficou excelente. Foi uma conquista muito grande porque há anos aguardávamos por isso. Ficou muito bem elaborado e nós fomos consultados, acredito que com a nova estrutura todos têm a ganhar, os quiosqueiros, os visitantes e a comunidade”, avalia Renato Lambiasi, presidente da entidade.
A intenção é que toda a execução esteja concluída até o final de 2015 e a estimativa inicial de custo para a conclusão das obras é de R$ 3,8 milhões. A ideia é que a comunidade (quiosqueiros e comerciantes locais) ajude posteriormente com a manutenção dos cenários de restinga. No Brasil, apenas a Praia da Macumba, no Rio de Janeiro, tem projeto semelhante.
Cultura
A preservação da cultura caiçara também foi contemplada no projeto de reurbanização da orla de Massaguaçu, que prevê a construção de um rancho caiçara. Conforme Cesar Abboud, o local deverá retratar um cenário tipicamente caiçara, com estrutura de pau a pique e chão batido, empório para comercialização de produtos tradicionais, casa da farinha, fogão a lenha e estrutura para abrigar os eventos gastronômicos tradicionais da área, como os festivais do Camarão e do Mexilhão.
Entretanto, a concretização desse espaço ainda depende de autorização da Secretaria de Patrimônio da União, por se tratar de uma nova construção além dos seis quiosques existentes no local. “Inicialmente essa parte não está contemplada na licitação, mas já estamos em tratativas com a Secretaria de Patrimônio da União para conseguir a autorização necessária, porque entendemos que a comunidade caiçara merece esse espaço”, conclui.
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