Novos hábitos: idosos frequentam de motéis a academias na RMVale
Pensar num idoso e lembrar de tricô e novela é coisa do passado. A cada ano aumenta o número de pessoas com mais de sessenta anos que frequentam a academia, shoppings, cinemas e até motéis. Pensando nos novos hábitos da terceira idade, empresas de diversos ramos já se preparam para atender essa clientela, que segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro Geografia e Estatística), deve triplicar nos próximos 20 anos.


Com 72 anos, o aposentado José Domingos Da Hora revela: gosto é de namorar!
Warley Leite/Meon
Pensar num idoso e lembrar de tricô e novela é coisa do passado. A cada ano aumenta o número de pessoas com mais de sessenta anos que frequentam a academia, shoppings, cinemas e até motéis. Pensando nos novos hábitos da terceira idade, empresas de diversos ramos já se adaptaram para atender essa clientela, que segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro Geografia e Estatística), deve triplicar nos próximos 20 anos.
Os idosos no Brasil representam hoje cerca de 11% da população, com 22,9 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Em 2030, cerca de 88,6 milhões de brasileiros serão sexagenários, quase 40% da nação.
Em uma academia de São José dos Campos, cerca de 40% da clientela é formada por pessoas com mais de 60 anos. No turno da manhã esse percentual cresce, com metade dos alunos na terceira idade. “Muitos recorreram à prática por recomendação médica. Alguns simplesmente procuram para continuar o convívio social ou para obter mais qualidade de vida” ressalta a professora e coordenadora da Energy Sports, Elaine Godoy.
Segundo o Guia de Motéis, entidade que reúne os estabelecimentos da categoria no Estado, houve um acréscimo no número de idosos frequentando os motéis na região. Levantamento feito a pedido do Meon revela que são mais de 7,7 mil usuários com mais de 60 anos no Estado. Na região, cerca de 150, são clientes de carteirinha.
“Eu acho que os idosos descobriram que podem deixar para ser velhos mais tarde”, brinca a dona de casa Maria de Lourdes Vieira, de 63 anos, enquanto come um saco de batata frita depois de ter feito uma hora de hidroginástica.
Sexualidade e riscos
Apesar da retomada da vida sexual depois dos sessenta anos ser vista com bom olhos pelos médicos, especialistas afirmam que é preciso ter cautela: com os novos hábitos, são necessários novos cuidados.
A última pesquisa publicada pelo Laboratório de Carga Viral da Funed (Fundação Ezequiel Dias) no final de 2013, revelou que na última década aumentaram em mais de 8% o número de pessoas que contraíram AIDS depois dos 60 anos. Já no grupo de adultos que ainda não atingiram a terceira idade, o crescimento não passou dos 2,66%.
“A pessoa entra na terceira idade hoje com outra cabeça. A velhice mesmo tem chegado após os 75 anos. Com isso, o tema sexualidade é recorrente nos consultórios especialmente depois da chegada do Viagra. Contudo, a ideia de camisinha não ressurgiu entre eles com a retomada da vida sexual”, explica Roberto Schoueri Junior, médico e diretor do hospital geriátrico Reger, em São José dos Campos.
“Eu namoro sempre. Ontem mesmo uma amiga de 73 anos me convidou para sair, mas eu recusei. Estou saindo com outra pessoa. Tenho mais de 70 anos mas tenho vida sexual. Às vezes falta dinheiro é para a azulzinha (Viagra)”, conta o aposentado José Domingos Da Hora, 72 anos, de forma bem-humorada.
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