Número de praias impróprias passa de 5 para 23 em uma semana diz Cetesb
Especialista revela que poluição é resultado de falta saneamento adequado


Praia da Cocanha em Caraguá, considerada imprópria pela Cetesb
Divulgação/PMC
Relatório divulgado pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) mostra que 23 praias estão impróprias para banho no Litoral Norte de São Paulo. O número é quase quatro vezes maior que o registrado há uma semana pela companhia.
De acordo com o levantamento, foram reprovadas no teste de qualidade as praias Armação, Pinto, Sino, Siriúba, Barreiros Norte, Itaquanduba, Itaguaçu e Portinho, em Ilhabela, além da Prainha, São Francisco, Pontal da Cruz, Deserta, Porto Grande, Grande, Paúba, Maresias e Boiçucanga, em São Sebastião.
Na cidade de Caraguatatuba a Cetesb reprovou a qualidade das praias Cocanha, Prainha, Indaiá e Palmeiras. Já em Ubatuba, o banhista precisa evitar a Enseada e a praia do Itaguá.
A companhia colheu amostras em 95 praias das cinco cidades da região. No relatório de semana passada, apenas cinco praias foram consideradas impróprias, segundo o órgão.
Critérios
Segundo a Geógrafa Cristina Camolez, do Setor de Águas Litorâneas da Cetesb, é a quantidade da bactéria enterococos presente na água que determina se a praia está ou não própria para banho.
Se a densidade desta bactéria no mar, oriunda geralmente de esgotos domésticos, for superior a 100 UFC/100 mL (Unidade Formadora de Colônia), em duas ou mais amostras em cinco semanas, ou superior a 400 UFC/100 mL na última amostragem, essa praia será classificada como imprópria.
“Existem dois fatores que influenciam na balneabilidade: o número de pessoas que encontra-se no litoral e as chuvas. No verão observa sempre uma piora das condições sanitárias das águas pelo fato de haver mais gente na praia e portanto uma maior quantidade de esgotos sendo gerada. O verão é também a época do ano mais chuvosa, o que contribui negativamente para as condições das praias”, explica Cristina.
Outro fator preocupante, segundo a geógrafa é o fato da maioria das cidades litorâneas não possuírem sistemas adequados e suficientes para coleta, tratamento e disposição final dos esgotos.
“Estar imprópria não é um fenômeno natural, uma vez que está diretamente ligado às condições de saneamento básico do local. Uma forma de a população colaborar é realizando a ligação do sistema sanitário da residência na rede de esgoto, evitando assim que os dejetos sanitários sejam despejados nos rios e córregos que deságuam nas praias”, conclui a geóloga.
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