“O bebê dormia em um colchão ao lado do casal foragido”, diz policial

Comissário da Polícia Civil relata operação que prendeu casal suspeito de matar gestante em Paraibuna; criança foi resgatada neste sábado

Escrito por: Meon Redação4 min de leitura
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Policial encontrou neste sábado o bebê arrancado da gestante morta em Paraibuna; casal suspeito foi preso

Reprodução/Policia Civil

O casal acusado de matar a gestante Leila dos Santos em Paraibuna, para ficar com o bebê da vítima, estava escondido havia uma semana na Favela do Lixão, em Duque de Caxias (RJ) até ser preso na manhã deste sábado (14). Os suspeitos pretendiam deixar o estado fluminense no domingo, levando o recém-nascido.

Quando os policiais chegaram à favela, a criança dormia em um colchão ao lado de Maria Terezinha Generoso Rodrigues Vieira, de 33 anos, e Nicolas Lopes Caetano, de 21.

O bebê foi resgatado pela polícia e encaminhado para o Hospital Municipal Dr. Moacyr Rodrigues do Carmo, onde passaria por avaliação e depois seria entregue ao Conselho Tutelar.

O resgate do bebê e a prisão dos suspeitos foram possíveis graças a uma rápida ação da Polícia Civil de Paraibuna, que planejou a operação logo após receber uma denúncia anônima, na sexta-feira (13), informando que o casal estava na Favela do Lixão.

Com a suposta localização dos suspeitos, o delegado de Paraibuna, Raian Braga de Araújo, solicitou apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro para fazer buscas na favela — considerada uma das mais violentas da Grande Rio,região metropolitana da capital fluminense.

Com apoio de equipes da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil do Rio de Janeiro) e de um Caveirão –veículo blindado usado no Rio, a equipe de investigação de Paraibuna realizou buscas em vários pontos da favela até localizar a casa onde estavam escondidos os suspeitos.

“Nossa maior preocupação era garantir a integridade física e o bem-estar do bebê. Essa era nossa prioridade, fazer uma ação sem confrontos”, disse o comissário André Ximenes, responsável pelo serviço de apoio operacional da Polícia Civil do Rio.

Segundo ele, os policiais fizeram um cerco à casa onde os suspeitos estavam escondidos e uma equipe entrou na casa.

“Quando entramos, o bebê dormia em um colchão ao lado do casal foragido.  Ele aparentava estar bem, mas assim que saímos de lá fomos imediatamente para uma maternidade. O recém-nascido nem leite materno tinha tomado e precisava passar por uma avaliação médica com urgência, receber todos os cuidados necessários”, disse o comissário.

Segundo ele, após receber alta o bebê seria entregue aos cuidados do Conselho Tutelar de Duque de Caxias até a Justiça definir o destino da criança.

“É muito gratificante participar de uma operação dessas e ver que conseguimos salvar uma vida. Foi uma operação integrada, entre as polícias do Rio e de São Paulo, de sucesso”, ressaltou o comissário.

O delegado Raian, de Paraibuna, seguiu logo cedo para Duque de Caxias para acompanhar o registro de flagrante e trazer os suspeitos para a região. Ele não havia retornado até as 17h.

Leila dos Santos (dir) e o casal acusado de matar a gestante em Paraibuna e roubar o bebê

Leila (à esquerda) e o casal acusado de matar a gestante

Reprodução

Entenda o caso

4 de julho-  quarta-feira

14h – Polícia Militar recebe a ligação de funcionários da balsa da represa de Paraibuna avisando ter encontrado um corpo.

15h – A equipe policial chega ao local e identifica o corpo sendo de uma mulher negra de aproximadamente 30 anos. A vítima vestia roupas comuns e estava com o corpo e rosto queimados. Ao lado do corpo foram encontrados um cordão umbilical e uma placenta.

16h – Equipe de investigação criminal chega ao local do crime. Provas foram recolhidas e é constatado que a vítima estava com a barriga dilacerada e teria passado por uma cesariana no local. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal de Jacareí e identificado como Leila dos Santos, 30 anos, sem residência fixa.

5 de julho – quinta-feira

10h – Durante a investigação do caso, funcionários do cartório de registro civil entram em contato com a Polícia Militar e informam que uma mulher havia tentado registrar um recém-nascido sem documentação. A PM foi informada que a criança teria nascido em uma casa na zona rural da cidade próximo à Salesópolis, a 47 km de distância do centro de Paraibuna. No local nenhum vizinho reconheceu os suspeitos pelas imagens fornecidas pela polícia.

11 de julho – quarta-feira

15h – Polícia Civil decreta a prisão preventiva da suposta mãe e do homem que a acompanhou ao cartório. A dupla está foragida e permanece sendo procurada pela policia.

12 de julho – quinta-feira

Família reconhece o corpo da vítima e polícia procura por suspeitos.

13 de julho – sexta-feira

11h30 – Corpo da vítima é sepultado no Cemitério Colônia Paraíso no Jardim Morumbi em São José dos Campos.

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