“O câncer me deu uma nova perspectiva”, diz Vânia Castanheira
Diagnosticada com 31 anos, ela fez da doença o começo de uma nova vida


“Às vezes a gente precisa definhar, ir até lá embaixo para renascer”, diz Vânia
Pedro Ive Prates/Meon
Vânia Castanheira, portuguesa que mora em São José dos Campos há oito anos, teve câncer de mama aos 31. “Eu tinha um ano e meio de casada, estava na hora de engravidar. E aí entrou o câncer e tudo começou a mudar”. Em 2013 seus exames ginecológicos estavam todos em dia, mas, devido à sua idade, ela ainda não realizava a mamografia. Foi aí que descobriu um nódulo no seio. “Eu achei estranho, mas como estava passando por um período de estresse forte desde 2010, pensei que seria alguma alteração hormonal. Marquei consulta com a ginecologista, mas nem cheguei a pedir urgência”, relata.
Vânia foi diagnosticada com triplo negativo, o mais raro entre os cânceres. “Recebi a notícia que poderia nunca engravidar, que ia ter que fazer quimioterapia, que ia ficar careca, sem cílios, sem sobrancelha, e que ia ter um ano totalmente definhante, dependente de alguém. Foi um baque, o pior dia da minha vida”, diz.
Durante os próximos onze meses após a descoberta da doença, a portuguesa passou por duas cirurgias na mama – precisou remover um quarto do seio – e uma quimioterapia agressiva. O que para muitas mulheres é um fim, para Vânia foi um novo começo. “Às vezes a gente precisa definhar, ir até lá embaixo para renascer, ver quem a gente realmente é, se redescobrir. E eu precisei disso. O câncer me deu uma nova perspectiva sobre a vida”, conta. Mas que reviravolta foi essa?
Jornalista não atuante, ela passou a escrever a partir da necessidade de compartilhar sua experiência. Assim nasceu o blog ‘Minha Vida Comigo’. “Eu não contei para ninguém, mas foi logo um viral. Na semana seguinte já tinha 20 mil acessos, hoje são mais de 180 países”. Durante o tratamento Vânia começou a estudar sobre o câncer, não só quanto à questão médica, mas sobre a origem da doença e sua relação com a nutrição, a parte emocional, a conexão do corpo e da mente.
Depois de finalizados os 11 meses de tratamento, Vânia passou a se dedicar à causa profissionalmente. Hoje ela é a segunda Medical Coach do Brasil, com certificações pelo ICF – International Coach Federation, Medical Coaching Institute of Israel, Wellcoaches e ACSM – American College of Sports & Medicine.“O médico cuida da doença, eu cuido da saúde”, diz. Além disso, já tem dois livros publicados, um em Portugal e outro no Brasil. Está escrevendo o terceiro.
A consultora diz que não teve medo da morte. “Eu sou uma pessoa muito sinérgica, eu preciso sentir as coisas, e eu não sentia que ia morrer. O que me deu medo não foi a doença, foi a cura”, conta.
Vânia atende pessoas em todo o Brasil e até mesmo em Portugal. Já testemunhou a perda de mulheres que pediram ajuda em seu blog, mas hoje encontrou o seu propósito. “Mais do que estar lidando com a doença, eu queria estar lidando comigo. E eu consegui.”. Ela ainda faz acompanhamento médico para prevenir o retorno da doença e pretende engravidar em breve.
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