Ovos caseiros se transformam em segunda opção de renda na região

Profissionais como designer e administradora investem na área

Escrito por: Lucila Guedes4 min de leitura
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A ajudante Angélica Siqueira e o designer Bruno Paiva mostram a produção de dar água na boca

Pedro Ivo Prates/Meon

Para muitos, a Páscoa é um feriado prolongado com boas chances de apostar em viagens ou descanso. Mas a época também representa para os confeiteiros da região a oportunidade de ganhar um extra que muitas vezes chega a ser o triplo da renda normal. Já para os compradores, os ovos podem representar economia de até 50% em relação aos vendidos nos supermercados.

Foi o que aconteceu com o designer de interiores Bruno Wesley de Paiva, de 28 anos. De sua casa, em São José dos Campos, apostando nas redes sociais, já conquistou cerca de 300 clientes fixos e afirmou que até o meio deste ano pretende alcançar como confeiteiro o salário de designer.

Paiva, que sempre gostou de culinária, começou a apostar no ano passado em cursos de doces finos, bolos, bombons e ovos de Páscoa – foram sete cursos de início. “No ano passado fiz os ovos apenas para presentear a família e os amigos”, contou.

O elogio deu resultado. Paiva passou a vender trufas e ter parcerias com empresas de decoração de festas, o que possibilita que seja contratado para fazer a parte dos doces. Este ano, já recebeu 60 pedidos de ovos e espera lucrar. “O chocolate dá um lucro rápido. Em até dois meses você já recebe o que investiu”, disse o confeiteiro.

O empresário confecciona os ovos com o chocolate importado e faz o recheio da versão trufada com frutas frescas, como maracujá e limão. Além dos números do cardápio, Paiva tem outros na cabeça: os que farão partir para a abertura de uma loja física (ele já abriu a empresa) e finalmente alcançar a renda que tinha como designer. “Uni o lucro com a qualidade de vida.”

Motorista executivo que virou doceiro
A confecção de ovos e doces também se tornou a segunda profissão do motorista executivo joseeense Carlos Ferrer, de 36 anos. Há três anos, ele investe no cardápio que traz pão de mel, brownie e trufas, além dos ovos para a Páscoa. A atividade, que normalmente representa 30% de sua renda, na Páscoa chega a 60%.

Nas duas últimas Páscoas, Ferrer disse que vendeu 150 ovos, divulgando seu trabalho pela internet e o famoso ‘boca a boca’. Ele, que investe em chocolate belga, afirmou que o campeão de vendas é o ovo de 500 gramas ao leite trufado, além de uma especialidade: o chamado ‘ovo de colher’, que consiste em meia casca recheada de brigadeiro.

Destino achocolatado
Enquanto outros estão investindo e recebendo cada vez mais pedidos de ovos de Páscoa caseiros, a administradora de empresa Ana Paula Mendes, de 35 anos, de Santa Branca, este ano tem como meta atender menos clientes. Ela, que adotou a profissão de confeiteira há 18 anos, se transformou numa referência na cidade de 14,3 mil habitantes, entregou no ano passado 724 ovos.

Equipe? Ana contou com a ajuda apenas da mãe e irmã. “Fiquei 15 dias sem dormir! Não vou mais fazer essa loucura”, afirmou. Ana, que mal atuou na profissão de administradora para ser confeiteira, diz que a maior satisfação de atuar na área é receber o feedback dos clientes. “Quando o produto chega a suas casas eles abrem os ovos e experimentam. Depois mandam recados muito carinhosos para mim. Na verdade, faço realmente tudo com muito amor”, declara.

Tendência
O  aumento do desemprego e os custos maiores dos ovos de Páscoa industrializados fizeram com que uma rede atacadista voltasse os olhos para o mercado de ovos caseiros. A rede Spani estima comercializar próximo a 300 mil quilos de chocolate em barra. com o estoque reforçado, a rede espera vender 25% a mais de barras de chocolate em relação ao ano passado.

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