Pais enfrentam desafio de passar os negócios da família para os filhos

Empresas de família precisam se preparar para a transição de gerações

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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João e Juliano Dantas: pai e filho aprendem um com o outro

Arquivo Pessoal

Filho de peixe peixinho é? No mundo dos negócios, essa sentença popular nem sempre é tão simples assim. Trabalhar a sucessão de uma empresa que passa de pais para filhos é um processo que, apesar de prazeroso, demanda sensibilidade e muita prática.

No caso do administrador Juliano Dantas, um dos diretores da construtora Reflora, de São José dos Campos, o fato de ter crescido dentro da empresa pesou bastante em sua escolha profissional.

Filho do engenheiro e empresário João Dantas, sócio-fundador da construtora, o executivo de 41 anos fez a vida profissional no mesmo ambiente desde muito cedo. Entretanto, se engana quem acha que ser ‘filho do chefe’ lhe rendeu facilidades. Muito pelo contrário.

Dantas, o filho, começou a trabalhar na empresa de seu pai muito cedo, ainda na faculdade. Com 18 anos na época, o administrador passou por todos os níveis da empresa.

“Fazia faculdade e trabalhava com meu pai. A gente lá em casa sabe que nada veio fácil pra ele. Se houve uma coisa que a vida ensinou foi que tudo que a gente consegue, consegue com dificuldade, tendo que merecer. E foi exatamente assim que ele me ensinou. Não teve moleza. Muito longe disso, a relação pai e filho ficava do lado de fora. Lá dentro eu era um funcionário como todos os outros, sem nenhum benefício”, explica.

Dantas começou na empresa do pai como estagiário. Foi auxiliar de administração e passou pelos diferentes setores para sentir onde estaria sua identificação com o negócio do pai. Há cerca de 15 anos, o filho, assim como os outros irmãos, passou a ser sócio do pai.

“Essa transição foi muito natural pra mim, até porque eu já conheço toda a estrutura da empresa, os valores, os conceitos. Hoje o que acontece é que eu continuo aprendendo com meu pai e também contribuo para que a gente possa adotar posturas mais modernas para a empresa, mas sem perder o que fez dela o que é hoje”, explica.

Conflito de gerações

A psicóloga e coaching de carreira Renata Bueno, de São José dos Campos, está finalizando um doutorado justamente na preparação dos herdeiros.

De acordo com a especialista, algumas ‘armadilhas’ são as principais vilãs nesses casos. O conflito de gerações, quando não dosado entre as partes, pode se virar contra a empresa.

“A questão é que muitos filhos saem para estudar fora e, a hora que chegam para administrar os negócios dos pais, querem passar um ‘trator’ em tudo aquilo o que fez a empresa crescer durante anos. A melhor perspectiva, nesse caso, é fazer com que os filhos convivam na empresa, sintam o ambiente e quais são os valores”, explica a psicóloga.

Outra questão que pode atrapalhar essa transição de pai para filho é, simplesmente, falta de vocação.

“Se alguns filhos querem passar por cima do que já foi feito pelos pais, o contrário também é um problema. Em muitos casos, a pressão dos pais para que o filho siga os mesmos caminhos pode atrapalhar o desenvolvimento do herdeiro. O importante é identificar quais as peculiaridades. Em muitas das vezes, há um lugar para os filhos até mesmo dentro da empresa. Não precisa ser um cargo administrativo, mas alguma outra função mais dentro de suas possibilidades”, conclui.

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