Palestra compara ciclovias do Brasil e da Holanda em seminário
Especialista defende participação da comunidade na criação de ciclovias Flávio Pereira/Meon Morte de ciclistas no trânsito, intransigência de motoristas, vias que priorizam os veículos motorizados. Parece Brasil, mas, acredite, esse era o cenário enfrentado pelo governo holandês durante a década de 1970, pouco antes de o país começar o planejamento que culminaria em uma das […]


Especialista defende participação da comunidade na criação de ciclovias
Flávio Pereira/Meon
Morte de ciclistas no trânsito, intransigência de motoristas, vias que priorizam os veículos motorizados. Parece Brasil, mas, acredite, esse era o cenário enfrentado pelo governo holandês durante a década de 1970, pouco antes de o país começar o planejamento que culminaria em uma das mais eficientes redes cicloviárias do mundo, com mais de 20.000 km de extensão.
A comparação entre as condições de Holanda e Brasil na implantação de ciclovias é o assunto da palestra “Planejamento Cicloviário Participativo”, a ser ministrada na quinta-feira (30) pelo engenheiro civil e diretor da Influxo, Warner Vonk, no Seminário Internacional de Mobilidade Urbana, promovido pela AEA (Associação de Engeheiros e Arquitetos) de São José dos Campos.
O especialista holandês vai defender a efetiva participação da comunidade como a melhor forma de implementar uma rede de ciclovias em nível nacional. Para Vonk, que atualmente trabalha no Rio de Janeiro, a melhor forma de criar uma rede de ciclovias bem-sucedida é contar com a participação da comunidade. De acordo com o especialista, urbanistas e engenheiros devem ouvir o que as pessoas que conhecem bem o espaço têm a dizer.
“É preciso conciliar um projeto que tire o protagonismo dos automóveis com a efetiva participação do público que vai ser diretamente afetado pela ciclovia. Ciclistas, presidentes de sociedades de amigos de bairro e moradores devem participar do processo, oferecendo sua contribuição para que o projeto seja mais eficiente. Dá mais trabalho, mas oferece melhores resultados”, afirma.
Além de contar com um projeto final mais “redondo”,o caminho participativo oferece outra vantagem, o fato da comunidade sentir-se ainda mais “dona” da obra. Desta forma, de acordo com Vonk, existe maior aceitação às mudanças e também uma fiscalização mais rígida do andamento das obras.
“Quanto mais participativo é o processo, mais as pessoas que utilizam as ciclovias valorizam o espaço. É uma opção que diminui a resistência daqueles que terão suas rotinas alteradas. Quando todo mundo participa, fica mais fácil encontrar um senso comum”, afirma.
Projeto
O especialista afirma ainda que a ciclovia deve ser um caminho para curtas distâncias -no máximo 5 km- que devem se integrar com outros modais de transporte, como metrô e ônibus.
“Mais de 90% das pessoas na Holanda faz esses trajetos curtos. Mas, para isso, os outros meios de transporte precisam se adaptar para receber as bicicletas. Não só ônibus e metrôs, como comércios, shoppings e supermercados, para incentivar o uso da bicicleta”, propõe.
PALESTRA: Planejamento Cicloviário Participativo
DATA: 30/10
HORÁRIO: 15h
LOCAL: Teatro do Colinas Shopping
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