Período de estiagem e crise hídrica preocupam especialistas em audiência sobre o Paraíba em Taubaté

A interligação do rio Paraíba, o período de estiagem e a crise hídrica que afeta a bacia do sistema da Cantareira foram os principais assuntos abordados em audiência pública realizada nesta segunda-feira (1), na Câmara de Taubaté. A discussão teve a participação de entidades sociais, representantes de Comitês Hidrográficos e vereadores da região.

Escrito por: Moisés Rosa3 min de leitura
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Edilson Andrade afirma que RMVale precisa ser protagonista na discussão

Flávio Pereira/Meon

A interligação do rio Paraíba, o período de estiagem e a crise hídrica que afeta a bacia do sistema da Cantareira foram os principais assuntos abordados em audiência pública realizada nesta segunda-feira (1º), na Câmara de Taubaté. A discussão teve a participação de entidades sociais, representantes de Comitês Hidrográficos e vereadores da região.

O baixo nível nos reservatórios preocupa especialistas e ambientalistas sobre a atual situação, que abastece mais de 2 milhões de moradores da RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba). O projeto da retirada de água na calha do Paraíba foi criticado.

Na opinião do geólogo Edilson de Paula Andrade, não há falta de água e sim de má gestão pública. “Precisamos ter planos e metas para o gerenciamento, com soluções imediatas. Não podemos nos conformar com isso [com a retirada de água]. No período de novembro a março, os reservatórios não armazenaram água e a previsão é que em 2015 tenhamos problemas na quantidade de armazenamento”, comenta.

Andrade afirma que esta não é a primeira vez em que há falta de planejamento. Na década de 60, foi discutida a geração de energia em Caraguatatuba, mas o Governo do Rio de Janeiro barrou a proposta. “Foi apresentado em 1960, um projeto que previa a geração de energia em Caraguá. Esse foi o primeiro conflito com o governo carioca, que proibiu a reversão de água. Agora, é preciso que tenhamos mais protagonismo ao defender as nossas propostas”, destaca.

Hoje, a crise hídrica superou os números negativos de 2013, quando foi registrado 14,5% no reservatório de Paraibuna e atualmente o índice está em 11%.

A vereadora Renata Paiva (DEM) de São José dos Campos se posiciona contrária ao projeto e afirma que cobra do Governo do Estado soluções emergenciais. “Todos nós dependemos do rio Paraíba, são 15 milhões em Minas, São Paulo e Rio de Janeiro e 2 milhões de moradores na RMVale”, destaca.

Para o professor da Unitau (Universidade de Taubaté), Gerson Freitas Júnior, o governo estadual está sendo omisso na discussão, querendo impor o projeto de interligação. “Nenhum projeto ou pesquisa anterior da Secretaria Estadual de Meio Ambiente cita a transposição como alternativa e agora querem impor o projeto. Não há coerência”, diz Júnior.

Para a vereadora Pollyana Gama (PPS), é necessário que as concessionárias de água se manifestem e realizem campanhas de conscientização. “Até o momento nenhuma empresa se manifestou claramente sobre o planejamento e uso da água. Além disso, também temos o desperdício de 38% de água potável, algo que precisa ser avaliado”, comenta a parlamentar.

Daniel Pereira (PSDB), vereador de Redenção da Serra, afirma que os baixos níveis na represa estão afetando diretamente a cidade. “Antes brigávamos pelo turismo, hoje estamos brigando pela sobrevivência. Em escolas e casas estamos com falta de água. Eles [governo] nunca olham para Redenção, nada está sendo feito pela cidade”.

Reunião
Nesta terça-feira (2), vereadores da Frente Parlamentar em Defesa do Rio Paraíba se reúnem com o secretário Estadual de Meio Ambiente, Rubens Rizek, para tratar a crise e os riscos do desabastecimento dos reservatórios da região.

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