Pesquisa aponta 355 pessoas em situação de rua em S. José dos Campos
Censo municipal indica redução em relação a uma pesquisa feita em 2011


Pesquisa aponta 355 pessoas em situação de rua em São José dos Campos
Flavio Pereira/Meon
Uma pesquisa feita pela Prefeitura de São José dos Campos identificou a presença de 355 pessoas em situação de rua na cidade. O trabalho de campo foi realizado nos dias 5 e 6 de novembro do ano passado e os resultados foram divulgados nesta segunda-feira (22).
De acordo com a prefeitura, das 355 pessoas, 331 responderam o questionário da pesquisa e 24 se recusaram a participar. O percentual da população de rua, em relação à população geral da cidade de São José dos Campos (Censo IBGE 2010), equivale a 0,056%.
“O número é inferior ao levantamento realizado em 2011 pela equipe técnica responsável pelo programa de atendimento à população em situação de rua à época, que indicou o número de 450 pessoas, sendo 383 do sexo masculino e 67 do sexo feminino”, informa em nota a Secretaria de Desenvolvimento Social.
A pesquisa atual aponta que a população é predominantemente masculina (296 homens e 35 mulheres), a maioria tem entre 31 e 50 anos e é de baixa escolaridade (154 não completaram o ensino fundamental). Com relação ao estado civil, 192 são solteiros e a maioria é parda e negra (156), contra 128 brancos.
Entre as razões para ida à rua, 130 pessoas indicaram conflitos familiares, 129 relataram problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas e 55 perda da moradia. Quanto ao tempo na rua, 180 apontaram que estão há cinco anos nesta condição e 104 há menos de um ano.
Das 355 pessoas entrevistas, 186 utilizam os serviços de acolhimento da prefeitura e 70 pessoas relataram que dormiriam nas ruas na noite em que a pesquisa foi realizada. “Esse dado indica que a maior parte das pessoas encontra-se em atendimento ou retornam para a residência de familiares ou amigos”, informa a pasta.
O levantamento também aponta que 110 pessoas nasceram na cidade e 171 disseram que possuem vínculos familiares em São José, sendo que 82 delas mantêm contato permanente com a família.
Nos dados apresentados, chamou atenção também a presença de 30 pessoas que disseram passar o dia junto a essa população e a noite retornam para suas residências.
“Os dados apontam que as pessoas em situação de rua mantêm vínculos com a cidade, seja no âmbito familiar ou no tempo que vivem em São José. Assim, as intervenções do poder público, no sentido da superação desta situação, poderão ter mais êxito se também buscarmos a reconstrução de vínculos com as famílias”, disse a secretária de Desenvolvimento Social, Valéria Gonelli.
A grande maioria (94%) indicou possuir documentação. “Isso rompe com um dos mitos criados em relação a esse segmento, considerando-as como indigentes, desconhecidas ou perigosas”, completou Valeria, afirmando que o objetivo da pesquisa é aprimorar os serviços existentes.
“Uma das medidas é melhorar as instalações do abrigo localizado na Rua Guararapes, no Monte Castelo, e a criação de mais duas unidades menores de acolhimento, abrigando, cada uma, cerca de 30 pessoas, na região central da cidade. Outra medida já realizada foi a capacitação das equipes que atuam nos serviços de abordagem social”, disse Valéria.
Outra ação realizada foi a desativação do espaço de convivência no Alto da Ponte, muito distante, e sua transferência para o prédio anexo à sede da Secretaria de Desenvolvimento Social, na Rua Henrique Dias, no Monte Castelo, mais próximo dos abrigos municipais e da grande concentração desta população na região central.
Metodologia
A pesquisa teve a coordenação da Secretaria de Desenvolvimento Social, em parceria com a Comas (Comunidade de Ação Cristã), a Unip (Universidade Paulista) e supervisão da professora Maria Madalena Alves, doutora em Serviço Social, da empresa MMA Consultoria.
O objetivo foi atualizar os dados da população, visando o fortalecimento de uma política municipal para a população em situação de rua envolvendo as áreas de assistência social, saúde, educação, trabalho, habitação, entre outras.
Como metodologia para o desenvolvimento da pesquisa, primeiro foi mapeado os pontos de permanência da população em todas as regiões da cidade, totalizando 136 pontos, bem como os serviços de acolhimento institucional.
O segundo momento consistiu na composição e capacitação dos pesquisadores, compostos pelos educadores sociais (Serviço Especializado em Abordagem Social), técnicos dos serviços de atendimento e estagiários do curso de Serviço Social da Unip. O terceiro momento incidiu na aplicação do pré-teste e na definição dos itinerários e equipes de campo para a pesquisa que foi realizada em 24 horas.
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