Petrobras reinicia recuperação ambiental do Itatinga em S. Sebastião
Obra foi paralisada após moradores apresentarem problemas respiratórios












A Petrobras reiniciou nesta segunda-feira (8), os trabalhos para recuperação ambiental da área no bairro do Itatinga, em São Sebastião, contemplando novas técnicas e procedimentos para minimizar os incômodos aos moradores, reduzindo os odores gerados durante as escavações. Segundo a Estatal, o novo plano de trabalho foi solicitado pela Cetesb (Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental) e autorizado pelo Ministério Público Estadual.
Na década de 70, a Transpetro (Petrobras Transportes) -empresa responsável pelo armazenamento e transporte do petróleo da estatal- utilizava uma área de várzea em São Sebastião para eliminar o resto de petróleo concentrado em seus navios. Depois do descarte irregular, a empresa aterrava o local, o que tornou o terreno sólido e possibilitou a chegada dos primeiros moradores, o que formou o bairro do Itatinga.
O número de casas foi aumentando até que, em 2006, durante reformas, alguns moradores viram jorrar de suas terras o que pensaram ser petróleo. Depois da análise feita pela Vigilância Sanitária, concluiu-se que o líquido preto e viscoso era borra, material -composto por hidrocarbonetos pesados e carcinogênicos- que sobra depois dos processos de refinamento pelos quais o combustível fóssil passa.
A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental foi então acionada e realizou diversos testes no solo. Com os resultados, o bairro foi dividido em duas áreas: vermelha, considerada de contaminação crítica, e azul, o entorno. Após diversas negociações, em 2011, cerca de 90 famílias que moravam na área crítica foram indenizadas pela Petrobras, que demoliu as propriedades e isolou a área.
Em 2012 a empresa apresentou um projeto para retirar o contaminante nos 21.000 m². Após aprovação do plano pela Cetesb, a Petrobras deu início as escavações. No entanto, as obras trouxeram o líquido a tona novamente e as pessoas começaram a apresentar problemas respiratórios. Com isso, a Vigilância Sanitária entrou com uma ação no Ministério Público, suspendendo a limpeza no local.
Para acompanhar os moradores, a prefeitura criou, em maio de 2013, o Saraci (Serviço de Atenção ao Residente da Área Contaminada do Itatinga) -ambulatório que fica no bairro e oferece médicos e exames três vezes por semana, atendendo diariamente 15 pessoas em média e dando suporte a cerca de 650 famílias.
Evaldo Pereira, de 39 anos, morador da área azul, foi um dos contaminados durante a tentativa de higienização. “Depois das escavações fui diagnosticado com nove nódulos no pulmão e problemas de medula. Já passei pela perícia e a conclusão dos laudos é que fui contaminado por hidrocarbonetos pesados e a minha doença é crônica”, conta.
O bombeiro, que mora há 26 anos no bairro, está há dois anos e meio afastado do trabalho e já tem laudo oficial sobre seu problema. “Depois dos exames passei por uma perícia no IML (Instituto Médico Legal) e a causa oficial das minhas doenças é contaminação por compostos químicos”, diz Pereira, que move uma ação na justiça contra a Petrobras. “Agora eles estão jogando projeto sociais pra nós, mas projeto social não devolve a saúde”, completa Evaldo, que afirma que a Petrobras ainda precisa desapropriar outras casas.
Nova técnica
Segundo a Petrobras, a nova técnica consiste em um galpão inflável que vai ser montado sobre a área de trabalho, com o objetivo de manter o ambiente externo protegido. Com esta cobertura, é possível reter e filtrar os possíveis odores e poeiras emanados pela movimentação do solo.
De acordo com a estatal, foi realizado uma reunião com moradores do bairro na última quarta-feira (3) para informar sobre o reinício dos trabalhos e apresentar as novas técnicas e procedimentos. A Petrobras também informou que está providenciando a reforma das calçadas em volta da área e a substituição do muro por um gradil, facilitando a visibilidade e o trânsito de pessoas.
Outro Lado
Em nota a Petrobras informou que “todos os dados obtidos em Itatinga apontaram para a inexistência de alterações na saúde da população relacionadas com o depósito de derivados de petróleo localizado no subsolo da área estudada. A companhia também realizou avaliação da qualidade do ar (exposição ambiental) na área no Bairro Itatinga e os resultados aferidos foram semelhantes aos encontrados no Centro de São Sebastião, área que não sofre influência do depósito de derivados de petróleo”.
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