PF faz buscas no BRB e prende Daniel Vorcaro, do Banco Master
Operação contra fraudes bilionárias com títulos de crédito

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (18/11), a Operação Compliance Zero, que mira um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional, incluindo o Banco de Brasília (BRB), alvo de buscas.
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Entre os presos está Daniel Vorcaro, do Banco Master, detido preventivamente por suspeita de participação direta nas fraudes. Também foi preso o banqueiro Augusto Lima, sócio do Banco Master e marido de Flávia Peres (ex-Arruda).
A operação cumpre cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Bahia. As ordens foram autorizadas pela Justiça Federal após representação da PF com apoio do Ministério Público Federal (MPF).
A deflagração acontece um dia após um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, em parceria com o grupo de participações Fictor, anunciar a compra do Banco Master, com aporte inicial de R$ 3 bilhões.
Como funcionava o esquema
A investigação foi iniciada em 2024, após o Banco Central (BC) detectar irregularidades na composição de carteiras de crédito usadas como lastro em operações financeiras.
Segundo a PF, uma instituição teria criado artificialmente títulos de crédito sem lastro real — considerados “inexistentes” ou “insubsistentes” — e os vendido a outras instituições, incluindo o BRB. Após a fiscalização do BC, os títulos fraudulentos foram substituídos por outros ativos também sem avaliação técnica ou lastro compatível, o que para os investigadores reforça a tentativa de encobrir os ilícitos.
A operação apura crimes como gestão fraudulenta e temerária, organização criminosa e possíveis delitos contra o sistema financeiro e o mercado de capitais. O nome Compliance Zero faz referência ao “total desprezo” pelas regras de compliance demonstrado pelos investigados.
Próximos passos
Os envolvidos serão ouvidos pela PF e podem enfrentar processos criminais, além de sanções administrativas do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Polícia Federal também investiga a origem dos recursos movimentados e possíveis beneficiários finais do esquema.
O BRB e demais instituições citadas ainda não se manifestaram. A investigação segue sob sigilo.
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