Planos de saúde investem em recursos próprios em São José

Tendência nacional, a chamada verticalização dos planos de saúde já é uma realidade em São José dos Campos. Trata-se de um investimento em recursos próprios, como hospitais, laboratórios clínicos e de imagens, centros de terapia, entre outras especialidades.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Tendência nacional, a chamada verticalização dos planos de saúde já é uma realidade em São José dos Campos. Trata-se de um investimento em recursos próprios, como hospitais, laboratórios clínicos e de imagens, centros de terapia, entre outras especialidades.

Esse é o grande problema da saúde, se tornar um negócio ao invés de ser um direito do cidadão

Paula Carnevaleprofessora da Univap

O raciocínio é simples: se antigamente pagava-se cerca de R$ 600 para que uma clínica credenciada realizasse um exame de imagem, agora se investe na compra de um aparelho de ressonância magnética para que a própria operadora gerencie o negócio.

A Unimed São José dos Campos, por exemplo, investe em recursos próprios para garantir esse controle nos gastos e na qualidade dos serviços prestados. De acordo com o diretor de recursos próprios, Paulo Cesar Prado Junior, a medida tem melhorado o atendimento aos clientes.

“Contando com uma equipe gerencial fica muito mais fácil da equipe controlar o padrão de serviços. Por exemplo, o hospital Santos Dumont recebeu uma avaliação hospitalar nível dois do ONA (Organização Nacional de Acreditação), órgão mais importante do país. Portanto, os clientes acabam ganhando quando a operadora passa a gerir esses serviços”, diz.

Recentemente o hospital inaugurou uma expansão que conta com novas alas, como um espaço dedicado a exames femininos -densitometria óssea e mamografia-, além de um local para exames de hemodinâmica. “Desta forma também podemos oferecer melhores condições de trabalho para os nossos médicos cooperados”, afirma Junior.

Desconfiança
Apesar de admitir que a tendência seja vantajosa no que diz respeito ao controle gerencial e financeiro para as operadoras, a médica professora e pesquisadora da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), Paula Carnevale, avalia que o cliente pode sair perdendo com a nova tendência.

De acordo com Paula, quanto mais os planos de saúde chamam para si os serviços oferecidos, mais limitada é a variedade de escolha dos beneficiados. “Evidente que quanto menor o número de serviços, o poder de escolha dos clientes acaba sendo bastante reduzido. Uma rede maior de credenciados já aumentaria as possibilidades”, comenta.

Outro problema levantado pela especialista diz respeito à falta de competitividade futura. Com menos serviços credenciados e consequentemente com menor concorrência, o temor é de que as operadoras ofereçam menos inovação.

“Esse é o grande problema da saúde, se tornar um negócio ao invés de ser um direito do cidadão. Quando entramos nessa esfera, o que vale é a lei de mercado. Desta forma é preciso ficar de olho para que a tendência não seja um atraso para a qualidade do serviço ofertado”.

Pesquisa 
Pesquisa recente realizada pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que regulamenta os planos de saúde, afirma que no estado de São Paulo, 40% das agências já contam com recursos próprios. A pesquisa foi encomendada pelo jornal Estado de São Paulo.

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