Porto de São Sebastião se prepara para possíveis casos de ebola
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a CDSS (Companhia Docas de São Sebastião), preocupados com petroleiros que chegam da Nigéria, onde há registros do vírus ebola, iniciaram uma campanha educativa para a comunidade portuária e visam investimentos em treinamentos para lidar com casos suspeitos da doença infecto-contagiosa. Uma das ações foi a palestra ministrada por Felix Reinaldo Teixeira Plastino, chefe do posto da Anvisa na cidade, na última terça-feira, para esclarecer os procedimentos adotados em situações de risco da enfermidade.


Comunidade do Porto de São Sebastião recebe palestra da Anvisa sobre ebola
Jessyca Biazini/Imprensa Livre
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a CDSS (Companhia Docas de São Sebastião), preocupados com petroleiros que chegam da Nigéria, onde há registros do vírus ebola, iniciaram uma campanha educativa para a comunidade portuária e visam investimentos em treinamentos para lidar com casos suspeitos da doença infecto-contagiosa. Uma das ações foi a palestra ministrada por Felix Reinaldo Teixeira Plastino, chefe do posto da Anvisa na cidade, na última terça-feira, para esclarecer os procedimentos adotados em situações de risco da enfermidade.
De acordo com Plastino, o Porto de São Sebastião mantém uma frequência de embarcações vindas da Nigéria, entre três e quatro por mês, mas a probabilidade de um tripulante ir a uma comunidade infectada, entrar em contato com um doente e vir ao Brasil é mínima. “Também é praticamente impossível receber alguém dentro do período de encubação da doença, que varia de dois a 21 dias, devido ao período de navegação. Ele já chegaria aqui com febre alta, fraqueza muscular intensa, pontos de sangramento pela pele, vômito e diarreia com sangue, entre outros sintomas”, afirma.
Plastino completa que, geralmente, o período de navegação entre a Nigéria e o Brasil é de 12 dias, e que o vírus já teria se manifestado na maioria dos casos suspeitos, que os períodos maiores de encubação da doença são raros e ocorrem em pessoas muito resistentes. “Independente das mínimas possibilidades, nós estaremos preparados. Já existe um plano de contingência que foi elaborado para o vírus H1N1 e que será reativado e ampliado para algumas características específicas do ebola, dentro do protocolo de medidas lançado pelo Ministério da Saúde para expor o menor número de brasileiros aos indivíduos suspeitos”, ressalta.
Segundo o chefe da Anvisa, não é uma doença de fácil contágio, só é transmissível depois de manifestado os sintomas e se a pessoa tiver contato direto com qualquer líquido orgânico do paciente ou com superfícies contaminadas pelas secreções do doente. “Não é transmissível pelo ar, água e alimentos. O vírus é facílimo de ser eliminado. A receita é água e sabão, o que nos faz pensar as condições que vivem estas comunidades africanas onde se proliferou o ebola. Só da secreção dos pacientes secarem já não possui mais contagio”, explica Plastino.
Para Plastino, o que o tranquiliza neste caso é que os sintomas são brutais e possibilitam isolar o paciente antes que ele tenha contato com outras pessoas. “Dentro dos protocolos em casos suspeitos, todos os países precisam estar preparados para tratar dos doentes e prestar o atendimento. Caso aconteça algum caso suspeito em navios, a medida é a remoção imediata do tripulante pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) com EPI (Equipamentos de Proteção Individual) de segurança máxima. Esse paciente não será encaminhado para o atendimento médico da cidade e sim para a referência em doenças infecto contagiosas que no caso do estado de São Paulo é o Hospital Emílio Ribas”.
Medidas de segurança
Para toda a embarcação entrar no porto precisa de autorização da Anvisa, da Marinha e de outros órgãos fiscalizadores. “As embarcações que não apresentem casos suspeitos não terão tratamento diferenciado aqui. Iremos fazer as mesmas exigências, que é a verificação do consumo de medicamentos e se foi necessário tratamento de casos clínicos, além de saber se o navio esteve em alguma comunidade atingida pelo vírus”, esclarece Plastino.
São três casos: no primeiro, a documentação está regular e a embarcação não passou por comunidade afetada pelo ebola nos últimos dias, então irá atracar normalmente. Na segunda situação, a embarcação que esteve em áreas atingidas pelo vírus, mas na avaliação da minuciosa não apresentou nenhum tripulante com sintomas, também estará liberado para atuar no porto.
Na terceira hipótese, passou em local com proliferação da doença e tem trabalhador com indícios, assim o paciente será isolado em uma cabine até ser removido por equipe especializada ao hospital de referência, além da embarcação ficar fundeada e passar por higienização.
Nos casos de tripulantes que vierem a óbito embarcado será feito o mesmo procedimento de casos suspeitos. Ainda terá o isolamento do cadáver lacrado. Não será feita necropsia a menos que haja necessidade legal.
André Pierobon, técnico de segurança do trabalho da Companhia Docas de São Sebastião, explica que não é uma situação alarmante e os órgãos responsáveis estão em comunicação para refinar o plano de atendimento que já existe. “Estamos atentos. Todo o equipamento que temos é superior ao exigido e faremos diversos simulados em cima de todas as variáveis de tratamento de um caso suspeito de ebola”, afirma.
O coordenador do Samu do Litoral Norte, André Leandro, conta que lidar com este tipo de caso está dentro da normalidade da rotina do atendimento e é só uma questão de organizar o fluxo. “Estamos preparados e cientes que existe esta possibilidade. Os médicos intervencionistas estão se aprimorando no assunto e a equipe está treinada para qualquer tipo de ocorrência”, diz.
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