São José quer ‘devolver’ gestão do Chuí para o governo do Estado
Apenas 26 dos 139 pacientes internados são de São José dos Campos


Contrato vai até 27 de fevereiro
Reproducação/Street View
O convênio entre a Prefeitura de São José dos Campos e hospital Chuí não vai ser renovado. A administração decidiu que vai romper o contrato com o hospital devido ao baixo número de pacientes da cidade na unidade. Ao todo, 139 pacientes estão internados, sendo apenas 26 de São José. O contrato se encerra em 27 de fevereiro.
Segundo a administração, a manutenção dos pacientes de outras cidades estava sendo custeada pela prefeitura, sem nenhuma ajuda do Estado.
“Os pacientes que estão no Chuí serão gradativamente transferidos para o hospital Francisca Júlia. O objetivo é devolver ao Estado a gestão e regulação de todas as vagas do Chuí”, informa trecho da nota da Secretaria de Saúde.
A prefeitura afirma que esta é uma reformulação na rede. “A decisão resulta da reformulação que vem sendo realizada pela Secretaria de Saúde na rede de atenção psicossocial do município, para promover a desospitalização dos pacientes psiquiátricos e sua reinserção social, bandeiras da política antimanicomial regulamentada no país há mais de 20 anos”, acrescenta a nota.
O presidente da Câmara de São José, o vereador Shakespeare Carvalho (PRB), pressiona a administração para não cancelar o convênio. Em reunião com o secretário Paulo Roiteberg e representantes do Chuí, Carvalho pediu que a prefeitura revertesse a decisão.
“O hospital Chuí presta serviço para a Prefeitura de São José dos Campos há 20 anos. Não podemos deixar de ouvir esses antigos parceiros e, principalmente, não podemos permitir que pacientes psiquiátricos e suas famílias fiquem desamparados”, afirma Shakespeare.
Durante a reunião, o secretário disse que não é possível arcar com os custos de pacientes de outras cidades. Segundo apuração do Meon, o hospital recebe R$ 73 por pessoa. O SUS (Sistema Único de Saúde) repassa R$ 43 e a prefeitura R$ 30. O impasse entre administração e o hospital é o número de pacientes atendidos, apenas 26 de São José e 113 de outras cidades.
Atendimento
Por meio de nota, o secretário de Saúde, Paulo Roiteberg, destaca que a transferência dos pacientes dará mais humanização ao tratamento. Segundo Roitberg, a ideia de se manter os pacientes internados por anos, tomando medicamentos fortes e sem nenhuma autonomia, precisa ser mudada.
“O que queremos e vamos fazer é mudar essa lógica e humanizar esse atendimento. Os pacientes que já temos internados em residências terapêuticas já nos provaram que a autonomia traz progressos importantes ao tratamento e que é a linha que devemos seguir”, diz o secretário.
Terapêuticas
Em São José dos Campos existem oito residências terapêuticas em funcionamento. Essas residências –moradias- foram autorizadas pelo Ministério da Saúde, por meio da Portaria 106, de fevereiro de 2000. São transferidas para as residências, os pacientes que precisam de internação de longa permanência. Os pacientes que não precisam, são encaminhados para o Caps (Centros de Atenção Psicossocial).
“A transferência de pacientes do Chuí para o Francisca Julia é um movimento necessário para não descredenciarmos leitos desse hospital, que atende a pacientes de outros municípios. Já o Francisca Júlia, que atende só pacientes de São José dos Campos, terá leitos transformados em residências terapêuticas, como preconiza a política definida pelo Ministério da Saúde”, explica o secretário de Saúde, Paulo Roitberg.
Posts Relacionados

EDP investe R$ 4,5 milhões para ampliar capacidade energética de Lorena em 15%

Defesa Civil emite alerta severo para chuva forte em São José dos Campos e Jacareí

Via Dutra terá obras de recuperação do pavimento até 22 de outubro
