TST repudia declarações feitas por Gilmar Mendes em S. José
Em almoço com empresários, ministro chamou tribunal de ‘laboratório do PT’


O presidente do TSE, Gilmar Mendes, durante almoço com empresários
Pedro Ivo Prates/Meon
O presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Ives Gandra Martins Filho, divulgou nota nesta terça-feira (4) lamentando as declarações feitas pelo ministro Gilmar Mendes durante almoço com empresários em São José dos Campos. Na ocasião, Mendes chamou o TST de “laboratório do PT”.
O presidente da Corte classificou a declaração como uma “agressão” que extrapola a divergência de ideias. “Em que pese a admiração e o apreço que tenho a sua excelência, não se pode admitir agressões dessa espécie, que extrapolam a salutar divergência de ideias, para atingir injusta e generalizadamente a honorabilidade das pessoas”, afirmou Gandra Martins em nota divulgada no site do TST.
O Colégio de Presidentes e Corregedores de Tribunais Regionais do Trabalho do Brasil (Coleprecor) manifestou solidariedade aos ministros do TST “diante das declarações descabidas, equivocadas e agressivas proferidas pelo ministro Gilmar Ferreira Mendes”.
“Há mais de 70 anos, o TST, integrante do Poder Judiciário da União, é um espaço de respeito e defesa dos direitos trabalhistas. Sua história está ligada ao fortalecimento da sociedade brasileira, através da consolidação da democracia, da solidariedade e da valorização do trabalho, primado constitucional no Brasil. Durante todo esse tempo, os ministros têm exercido um papel fundamental na solução dos conflitos trabalhistas de forma rápida, transparente e segura, fazendo cumprir as leis e a Constituição da República”, informa nota do colegiado.
“Declarações dessa natureza são nocivas à democracia e em nada servem para melhorar o conturbado clima político-institucional existente no país”, acrescenta o texto, assinado pelo presidente do Coleprecor, o desembargador James Magno Araujo Farias.
Polêmica
As declarações foram dadas por Gilmar Mendes nesta segunda-feira (3), durante almoço com empresários em São José.
Segundo o ministro, que é presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), o TST “foi o laboratório do PT”.
“E o aparelhamento foi exitoso exatamente no âmbito do TST. Hoje, o tribunal é composto por muitos simpatizantes que foram indicados pela CUT. E nós temos um direito do trabalho engessado. O país tem 13 milhões de desempregados e com um sistema inflexível”, afirmou o ministro.
Ele disse que o STF faz um escrutínio da vida de seus ministros antes que eles ingressem no órgão, o que não aconteceu no tribunal trabalhista. “A sociedade não fiscalizou o provimento de vagas no sistema do TST”, disse.
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