Projeto da Câmara vai eleger vereadores mirins em São Sebastião

A última sexta-feira (6) foi movimentada, além do normal, na Escola Municipal Cynthia Cliquet em São Sebastião. Nos corredores pulsantes do colégio, cheio de pré-adolescentes, a conversa era um pouco diferente do corriqueiro. Os papos sobre namoro, Copa do Mundo e videogame, deram lugar ao debate político.

Escrito por: Elaine Rodrigues4 min de leitura
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Mariângela diz ter muitos projetos para seu bairro, Enseada, ao fundo

Arquivo Pessoal/Mariângela

A última sexta-feira (6) foi movimentada, além do normal, na Escola Municipal Cynthia Cliquet em São Sebastião. Nos corredores pulsantes do colégio, cheio de pré-adolescentes, a conversa era um pouco diferente do corriqueiro. Os papos sobre namoro, Copa do Mundo e videogame, deram lugar ao debate político.

A mudança foi provocada por causa do projeto Vereador Mirim, iniciativa da Câmara de São Sebastião, que propõe que a escola vivencie todo o processo eleitoral e político da Câmara, desde a formação de partidos e eleições, até o trabalho legislativo e democrático, com sessões, projetos de lei e até cerimônia de posse.

Quando a direção e os professores da escola foram procurados, não tiveram dúvidas. “É um excelente exercício de cidadania, provavelmente serão nossos novos prefeitos e presidentes de câmara. Essa tarefa de vivenciar a política na escola, vai trazer muita coisa boa para todos aqui”, destaca a professora de matemática Suzana Marques, 44 anos.

Candidatos
Mariângela Basílio da Silva, 13 anos, foi uma das primeiras alunas a se candidatar para concorrer ao cargo de vereadora mirim. A estudante quer estar entre os doze eleitos para a Câmara da escola. “Se for eleita, vou pedir a construção de uma Etec (Escola Técnica) no bairro. Tem muita gente aqui precisando de oportunidade. Como somos de uma região pobre, as pessoas não têm como ir no centro estudar. É longe, demora mais de 30 minutos. Sem escola e sem apoio, os jovens acabam caindo nas drogas. Precisamos mudar isso”, detalha a candidata do 8º ano do ensino fundamental.

Outro jovem candidato a vereador da EMEF Cynthia Cliquet, é Igor Belo Amaral, 12 anos. “Me inscrevi porque eu acho que podemos conseguir trazer mais cursos e atividades esportivas para o bairro”, destaca. O estudante diz ser apaixonado por telejornais e documentários e, que quando se formar, quer seguir carreira militar. “Eu vou fazer Engenharia no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e trabalhar lá. Mas vamos ver, se gostar de ser vereador aqui, vou pensar sério na minha vida política, em ser prefeito”, brinca Igor.

Renovação
Para o cientista político, Maurício Cardoso, a iniciativa é muito boa e deveria ser reproduzida em todas as cidades do país. “Faltam jovens na política e um projeto que aproxima os estudantes da política e democracia que é feita no dia a dia, como acontece na Câmara é muito interessante”, diz.

Para Cardoso, o projeto vai na contramão do que se vê dentro dos partidos políticos no país. “É muito difícil ver isso. O que você vê é um envelhecimento dos agentes políticos. Essa turma se acomodou de tal madeira que você não vê a formação da nova liderança. É uma estratégia dos antigos políticos criarem benefício para que as lideranças se perpetuem ou que a sucessão seja hereditária. A política tem que ser feita por todos e não por grupos privilegiados”, conclui.

Eleições
Os alunos que querem concorrer a vaga de vereador mirim podem se inscrever até o inicio das férias no dia 12 de junho. Depois do recesso e da Copa do Mundo começa o período eleitoral na escola.  A eleição acontece no dia 31 de julho.

Os doze alunos que forem escolhidos na votação devem tomar posse em 18 de agosto, na Câmara de São Sebastião, durante uma sessão extraordinária que será realizada especialmente para nomear os jovens aprendizes políticos.

Depois de eleitos, os vereadores mirins, durante o mandato de um ano, pretendem pensar em projetos e sugestões para ajudar os vereadores da cidade.  “Espero que o projeto aproxime os estudantes do legislativo, inclusive com maior participação nas sessões de Câmara. Dessa forma, vamos contribuir para formar cidadãos mais participativos e questionadores”, avalia o presidente do Legislativo, Marcos Tenório.

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