Projeto de professor joseense vai diminuir desperdício de doações à vítimas de desastres naturais

O professor universitário Irineu Brito Junior, de São José dos Campos, vai defender nas próximas semanas uma tese de mestrado que promete diminuir para praticamente zero o desperdício de materiais doados para vítimas de acidentes naturais. Realizado em parceria com a Defesa Civil de São Paulo, o projeto vai servir como norma para essas ações em todo o Estado.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Vítimas de deslizamento de terra em São Sebastião separam móveis

Divulgação/PMSS

O professor universitário Irineu de Brito Junior, de São José dos Campos, vai defender nas próximas semanas uma tese de doutorado que promete diminuir para praticamente zero o desperdício de materiais doados para vítimas de acidentes naturais. Realizado em parceria com a Defesa Civil de São Paulo, o projeto vai servir como norma para essas ações em todo o Estado.

Somente de roupas, a estimativa é que atualmente uma em cada cinco peças doadas sejam jogadas fora por falta de normatização na triagem ou despreparo do órgão que promove as doações. Com o estudo, o professor planeja adaptar para a Defesa Civil um modelo que já é utilizado pela Cruz Vermelha.

“Para evitar que toneladas de alimentos e milhares de peças de roupa sejam perdidos antes de chegar às famílias desabrigadas, o estudo logístico prevê o treinamento de equipes que separem o que pode e o que não pode ser doado, assim como acontece na Cruz Vermelha, por exemplo. A distribuição estratégica de depósitos de alimentos também faz parte do projeto”, afirma o professor.

Com a conclusão do estudo, a intenção é de que não se repitam casos como o ocorrido durante a enchente em São Luiz do Paraitinga em 2010, quando alimentos e peças de roupa foram para o lixo ao invés de abastecer a população da cidade.

“O exemplo de São Luiz é muito representativo. Naquele caso, para se ter uma ideia, foram 340 mil peças de roupa, sendo que a cidade tem pouco mais de 10 mil habitantes. Por isso é fundamental que seja implementado um sistema consciente de triagem, estocagem e preparação para novos desastres naturais”, explica o especialista.

Agilidade
Outro objetivo do estudo capitaneado pelo joseense é diminuir para, no máximo, seis horas o envio das primeiras ajudas humanitárias para qualquer cidade do Estado. Tratam-se de caixas de cesta básica, água, colchões e cobertores para suprir as necessidades dos desabrigados.

Para isso, o projeto vai otimizar a localização dos estoques distribuídos pelas cidades do Estado, além de capacitar pessoal para que os primeiros suprimentos cheguem com rapidez ao destino.

“Quando acontece um desastre natural de grande escala, nas primeiras horas a preocupação é com o suprimentos médicos, sangue para transfusão e soro. Por isso que estipulamos como ideal o prazo de seis horas para que os suprimentos comecem a chegar. Afinal, é nesse momento que a preocupação passa a ser em aquecer e alimentar os desabrigados”, afirma.

Equilíbrio
Experiente em situações que envolvem a logística de doações para vítimas de desastres naturais, o professor afirma que gestos simples ajudam muito para que as doações humanitárias efetivamente cheguem a quem precisa.

“Normalmente não há muito equilíbrio. Enquanto sobram roupas faltam materiais de limpeza. Outra coisa que dificulta é a falta de preparo na hora de enviar as doações. Perderia-se muito menos sapatos, por exemplo, caso amarrassem um cadarço ao outro antes de colocá-los no caminhão. Sem isso, eles se perdem e aí fica muito difícil encontrar o par”, explica.

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