Tartaruga-cabeçuda de 116kg será devolvida ao mar em Ubatuba
Espécie é considerada rara e de grande importância biológica


Animal chegou ao Projeto Tamar debilitado e sem uma das nadadeiras
Divulgação
A equipe do Projeto Tamar está se preparando para devolver ao mar, nos próximos dias, uma tartaruga-cabeçuda, de 116 quilos.
Segundo o projeto, o animal foi capturado acidentalmente em uma rede de cerco flutuante pelos pescadores da Vila de Picinguaba, na região norte de Ubatuba.
É uma tartaruga macho, com um metro de comprimento de carapaça. Quando chegou ao Projeto Tamar, entregue pelos pescadores, estava debilitada e sem a nadadeira anterior direita. Ela foi reidratada, tratada com antibióticos e alimentada durante um mês. Com os cuidados, ganhou sete quilos e terá alta nos próximos dias para ser devolvida ao mar.
Segundo a coordenadora do projeto Tamar de Ubatuba, a oceanógrafa Berenice Gomes, tartarugas desta espécie e deste tamanho são pouco comuns em Ubatuba.
“Certamente a perda da nadadeira dificultou a natação do animal e consequentemente sua alimentação, culminando em um quadro de debilidade que o trouxe, através das correntes, para próximo da costa”, conta.
Estudos
Ela diz que o projeto já registrou vários casos de tartarugas sem uma nadadeira. “Muitas vezes a amputação se deve à predação por peixes carnívoros, como os tubarões. Outras vezes, pedaços de redes e linhas de pesca enrolados nas nadadeiras provocam o estrangulamento e perda gradual do membro”, explicou.
A oceanógrafa conta que, diferente das fêmeas, que periodicamente chegam para depositar seus ovos nas praias, os machos de tartaruga marinha vivem todo o seu ciclo de vida no mar.
“A temperatura é fator crucial para a definição do sexo das tartarugas marinhas. Por isso os machos, que nascem principalmente no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, por serem lugares com temperaturas mais frias, são considerados pelos pesquisadores a parte mais crítica de uma população.”
A pesquisa e conservação de machos adultos de tartaruga marinha pode viabilizar estudos demográficos, ou de mudanças climáticas, e depende da compreensão de suas rotas migratórias, áreas de frequência, periodicidade de visitas a áreas de reprodução e de alimentação, entre outros indicadores obtidos, por exemplo, através de sistemas de marcação ou de monitoramento por satélite.
Tartaruga-cabeçuda
A tartaruga-cabeçuda é o tipo mais comum desovando no litoral, com maior concentração na Bahia, ocorrendo também nos Estados de Sergipe, Espirito Santo e Rio de Janeiro. O Brasil ocupa a terceira posição entre os sítios de desova dessa espécie no oceano Atlântico. Classificada como ameaçada de extinção, é encontrada em todos os oceanos.
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