Racismo ou abordagem de rotina da PM em São José dos Campos?
Na última sexta-feira (29), a abordagem de policiais militares a dois garotos negros no Centro de São José dos Campos, causou revolta em quem assistia a ação, classificada por estes como ato de racismo dos PMs.


Claudinei Correa registra boletim de ocorrência contra PMs por racismo
Flávio Pereira/Meon
Na última sexta-feira (29), a abordagem de policiais militares a dois garotos negros no Centro de São José dos Campos, causou revolta em quem assistia a ação, classificada por estes como ato de racismo dos PMs.
Jefferson Machado Correa, 20 anos, e o amigo Fabiano Augusto Pereira dos Santos, 18 anos, estavam no calçadão da rua Sete de Setembro e faziam compras com o pai de Jefferson, o assessor parlamentar da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, Claudinei Correa, 45 anos.
“A gente foi comprar um tênis na hora do meu almoço para os garotos. Enquanto eu pagava, os meninos foram ver outras vitrines no calçadão. Saí da loja e me deparei com aquela situação constrangedora, na qual um policial tinha apontado a arma para o meu filho só porque ele é negro. Tentei conversar, mas logo o PM estava me empurrando também com a arma na mão”, relata Correa.
Ao tentar defender os jovens, Correa se recusou a ser abordado e recebeu voz de prisão por desobediência e resistência. O assessor, que também é presidente da ONG Afronorte –organização que atua contra a desigualdade racial na cidade–, começou a falar que os policiais não podiam abordar daquela forma e logo uma multidão se juntou para ver o que acontecia (como mostra o vídeo abaixo).
“Nós saímos da loja brincando, rindo. Estávamos felizes porque íamos para um show à noite. Eu nem vi que tinha polícia perto. Daqui a pouco senti que alguém pegou no meu braço, torceu e nos colocou contra a parede dizendo: ‘perdeu. Cadê a arma neguinho, cadê?’ O Jefferson ergueu a camisa mostrando que não tinha nada, a gente dizia que não tinha nada”, conta Fabiano.
Os PMs não conseguiram colocar os jovens na viatura para irem até a delegacia. Os garotos, junto com o pai, foram a pé até o 1º DP, onde registraram um boletim de ocorrência contra os policiais por descriminação racial. O caso segue nesta segunda-feira (1) para a corregedoria da Polícia Militar, em São Paulo.
Algumas pessoas filmaram quando o pai de um dos meninos envolvidos foi defender os jovens abordados pela PM e toda confusão começou. Nas redes sociais, até a manhã desta segunda-feira (1), mais de 15 mil pessoas haviam compartilhado e comentado o caso.
Outro lado
A Polícia Militar nega que os policiais tenham agido de forma racista. De acordo com o capitão Alan Kalzuk, do 1º Batalhão da PM, que atua na região central, a ação foi rotineira e atendeu ao que pede a legislação vigente.
“Recebemos o chamado de uma loja que tinha pedido ajuda da polícia por causa de dois indivíduos suspeitos que tinham entrado no local. As descrições batiam com a dos garotos e por isso abordamos. O que tem que ficar claro é que não abordamos pessoas suspeitas, mas sim atitudes suspeitas. Esses meninos tiveram uma atitude suspeita ao avistar os policiais se aproximando. Eles tentaram evitar a abordagem entrando nas lojas do calçadão”, explica o capitão.
Para Kalzuk, a ação de Correa de incitar a população contra a polícia foi incorreta, e informa que um outro boletim de ocorrência contra ele e os jovens -por desobediência e resistência à abordagem- foi registrado. “Se todo mundo achar que tem direito de não ser abordado pela polícia e começar a fazer o que ele fez, a gente não consegue seguir com as buscas e o trabalho de prevenção. Isso acontece várias vezes por dia. Tenho certeza que os policiais não agiram de forma racista”, conclui.
Sobre o registro das denúncias na corregedoria, o capitão afirma que a polícia não compactua com nenhum tipo de desvio de conduta e quer que os fatos sejam apurados.
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