Redenção da Serra quer restaurar parte que sobrou da cidade submersa
Redenção da Serra recebeu na última sexta-feira (28), o projeto de restauração da cidade velha. A recuperação da área que ficou anos submergida nas águas da represa na década de 70 custará cerca de R$ 20 milhões. Prefeitura busca apoio para financiar as obras.










Redenção da Serra completa 154 anos no dia 8 de maio, mas já recebeu um grande presente: ganhou um projeto para restaurar os antigos prédios da Igreja Matriz, da Câmara Municipal e da Prefeitura, única parte da cidade velha que não foi inundadada na década de 70 pela represa da Cesp (Companhia Energética de São Paulo).
A restauração do conjunto de construções do final do século 19 vai custar cerca de R$ 20 milhões e causou grande alegria em todos os políticos e empresários da cidade que conheceram a versão preliminar do plano de restauro, apresentado na prefeitura de Redenção.
“A Fíbria e o escritório Kruchin de arquitetura nos apoiaram. Praticamente subsidiaram o projeto que custou cerca de R$ 400 mil. Todos estamos ansiosos para ver recuperado o que sobrou da história da nossa cidade”, destaca o vereador Daniel Pereira (PSDB).
O arquiteto responsável, Samuel Kruchin, apresentou as plantas e maquetes preliminares da restauração. Um vídeo de como ficará a cidade velha restaurada e o projeto final deverá ser apresentado para toda a população no dia 03 de maio, durante a abertura da festa de aniversário da cidade.
Com o projeto em mãos a prefeitura de Redenção pretende buscar verbas junto ao governo Estadual e Federal, e ainda no setor privado para viabilizar a obra orçada em R$20 milhões, quase o dobro do orçamento anual da cidade, que em 2014 é de R$ 13 milhões.
Cidade submersa
No inicio da década de 70, o governo de São Paulo decidiu criar uma represa com as águas dos rios Paraitinga e Paraíba do Sul para colocar em funcionamento a usina hidroelétrica em Paraibuna. Para isso, era necessário inundar Redenção e Natividade da Serra, duas cidades que na época já tinham quase cem anos de história.
A notícia não foi bem recebida na cidade. “Eu tinha 22 anos na época. Não me esqueço o clima de tensão, tristeza e angústia que vivemos quando ficamos sabendo que o governo tinha decidido acabar com a nossa cidade para construir a represa”, conta Carlos Aquino, 60 anos, atual secretário de cultura de Redenção.
Assim como Aquino, centenas de pessoas tiveram que sair de suas casas entre os anos de 1971 e 1975 e construir uma nova cidade. “Redenção da Serra era considerada bairro de Taubaté pelo governo, mas nós sabíamos da nossa história. Ainda me lembro quando levamos o cruzeiro da cidade velha para o alto da cidade nova. Foi o marco zero”.
A vila com dezenas de casas, a maioria feita de pau a pique, foi demolida a medida que a nova Redenção se erguia no alto da serra. Apenas a Igreja Matriz, os prédios da Prefeitura, da Câmara Municipal, e alguns casarões na praça central foram preservados por um muro de arrimo. “Ao poucos, a gente viu a água chegar e chegar, até não se ver mais nada. Restaurar o antigo centro, é recompensar parte de nossa história perdida na represa”, conclui Aquino.
Curiosidade
Durante uma visita à cidade, o filho do cineasta Amácio Mazzaropi, André Luiz Mazzaropi, revelou que o famoso jeca taubateano se inspirou na história de Redenção da Serra para filmar diversas de suas obras. Abaixo assita o trecho de O Grande Xerife, que mostra uma cena que lembra o recomeço da cidade.
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