Respeitável público! Com vocês, as mães do circo
Às vezes é preciso ser malabarista para criar os filhos. E, acredite, existem mães que literalmente rebolam com o bambolê, se arriscam em acrobacias, dançam e até fazem mágica enquanto cuidam de seus pequenos. Ser mãe é uma arte e no caso destas mulheres, uma arte circense.


Caroline Valente Coutinho e a filha Úrsula, do circo Stankowich
Flávio Pereira/Meon
Às vezes é preciso ser malabarista para criar os filhos. E, acredite, existem mães que literalmente rebolam com o bambolê, se arriscam em acrobacias, dançam e até fazem mágica enquanto cuidam de seus pequenos. Ser mãe é uma arte e no caso destas mulheres, uma arte circense.
“Se quer saber, temos mais sorte que qualquer outra no mundo, porque não preciso deixar meus filhos na creche. Acompanho e ensino o nosso jeito de ser família circense aqui, no dia a dia, de perto”, conta a trapezista Carla Sepuveda, Uma das mães que fazem parte da família e da trupe do circo Stankowich, que se apresenta até o final de maio, no Jardim Colinas, em São José dos Campos.
É hora do espetáculo. Como Carla, agora grávida da segunda filha, sob a tenda do circo há outras mães que se arriscam em números perigosos, impressionantes e mágicos, enquanto nos bastidores, seus filhos aguardam com parentes ou amigos de trabalho.
Caroline Valente Coutinho, 31 anos, se maquia no camarim, enquanto a pequena Úrsula de um ano desenha e brinca com os malabares do pai. “Ela fica aqui quietinha, e quando entro no picadeiro, fica com o pai, ou com alguma das meninas. As vezes fica dormindo no trailer” conta a trapezista que também faz números com bambolê, tecido e lira.
Fora do picadeiro, as mães do circo levam uma rotina quase normal. Cuidam do lar, da educação dos filhos e ainda ensaiam. E assim, de cidade em cidade, vão formando as novas gerações de artistas circenses. “Quem nasce no circo, morre no circo. Aqui as crianças brincam de circo, os pais apostam o que o menino vai ser quando crescer. Se vai ser acrobata ou palhaço. Se as meninas vão ser mágicas ou bailarinas, se vão ser melhor no solo ou no ar. É uma tradição, mas também é um processo natural”, conclui Carla.
Preconceito
Educar uma criança num sistema nômade, viajando durante o ano todo, é um desafio para essas mães. Carla conta que tem que andar com a lei que garante que as crianças sejam matriculadas nas escolas da cidade por onde o circo passa, debaixo do braço. “Toda vez é a mesma coisa, temos que explicar, mostrar a lei e aí as crianças são matriculadas. Nossos filhos aprendem mais que as outras crianças. Seguem nas escolas públicas o currículo nacional, mas tem que estudar muito para passar em todas as provas, estejam onde estiverem. E não repetem de ano. Eu acompanho os estudos da minha filha de perto, e ela ainda faz balé, ginástica e outros cursos pelas cidades onde passamos. Conhecem a cultura do Brasil inteiro”, conta orgulhosa a trapezista.
Outro problema, segundo as mulheres é o preconceito. Juliana Cipullo, 27 anos, é mãe de dois meninos. A bailarina vivia em Curitiba e decidiu seguir a carreira circense durante uma temporada do Stankowich na cidade. Triste, a jovem mãe conta que para seguir seu sonho de trabalhar no circo e seguir com a trupe, foi obrigada a deixar para trás o seu filho mais velho, do primeiro casamento. Segundo a artista, o pai da criança não aceita que a mãe cuide do filho no circo por preconceito. “Ainda brigo na justiça para conseguir a guarda dele. Existe muito preconceito. As pessoas acham que não estudamos, não fazemos faculdade, ou que não somos limpos, sei lá. Isso é mentira. Olha como as crianças aqui são todas bem educadas, temos o que precisamos para viver bem”, afirma Juliana, que hoje está casada com um do palhaços do Stankowich, com quem teve seu segundo filho, o pequeno Gustavo, de um ano.
Mães Stankowich
O circo já está em sua sétima geração. São 170 anos de tradição passada dos pais para os filhos. Uma das representantes da última geração circense, Kamila Stankowich, se apresenta como mágica, enquanto a mãe Zelândia e a avó Miriam Stankowich, matriarcas do picadeiro, administram a trupe.
Respeitável público! Conheça em nossa galeria, as mães do circo Stankowich.




















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