RMVale tem duas cidades sem homicídios há mais de uma década

Você se sente seguro em sua cidade? Imagine viver em um lugar onde os principais problemas envolvendo segurança pública se restringem a roubos e furtos. Esse conto de fadas faz parte da vida real dos moradores de Santo Antônio do Pinhal e Redenção da Serra, cidades do Vale do Paraíba que estão há mais de uma década sem homicídios.

Escrito por: Moisés Rosa3 min de leitura
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Você se sente seguro em sua cidade? Imagine viver em um lugar onde os principais problemas envolvendo segurança pública se restringem a roubos e furtos. Esse conto de fadas faz parte da vida real dos moradores de Santo Antônio do Pinhal e Redenção da Serra, cidades do Vale do Paraíba que estão há mais de uma década sem homicídios.

Na pequena Santo Antônio, com seus 6.000 habitantes, o último assassinato ocorreu em 2001, quando uma jovem de 24 anos foi encontrada morta na Estrada do Barreiro, na região rural. O caso não foi resolvido até hoje e faz parte de um passado que não quer ser relembrado. De tão tranquila, nem delegado tem na cidade. As ocorrências são atendidas pela vizinha Campos do Jordão.

Já Redenção da Serra, com 4.000 habitantes, não registra homicídio desde 2002. A cidade não tem cadeia e quem é preso é levado para Guaratinguetá. O delegado trabalha em esquema de plantão -fora do expediente em horário comercial é acionado em sua casa apenas para atender ocorrências consideradas graves.

Luiz Alberto, policial civil em Santo Antônio do Pinhal, acredita que o trabalho da polícia junto à população está diretamente ligado ao baixo índice de violência. “Estamos bem mais próximos dos moradores, ouvindo e prestando toda assistência para esclarecer os delitos. É claro que não conseguimos prever essas ações, pois dependem de fatores emocionais e psicológicos”, afirma.

O investigador ressalta que os roubos são a única preocupação envolvendo segurança pública na cidade. “São roubos de pequenos pertences, sem relevância, mas que podem diminuir se houver um trabalho conjunto da prefeitura para ofertar cursos de qualificação aos jovens”.

Nascido em Santo Antônio do Pinhal, o sanfoneiro Nelson José de Oliveira, 65 anos, comenta que dificilmente se ouve comentários sobre roubos e homicídios. “Aqui é bem tranquilo, sem nenhum problema. Há confiança em deixar janelas e portas abertas. É bem diferente das maiores cidades, que têm mortes quase todos os dias”.

Acostumada com a correria diária no Japão por 15 anos, a atendente de caixa Cláudia Yumie, 22 anos, decidiu morar em Santo Antônio em busca de sossego. “Vim para o Brasil após participar da Jornada da Juventude e optei por morar na cidade, pois já tinha família aqui. Diferente é que não vejo portões trancados. É uma harmonia”.

A boleira Maria do Carmo, 73 anos, brinca com o ‘título’ da cidade ser a que menos registra casos de homicídios. “É raro alguém morrer [risos]. As únicas mortes em Santo Antônio são por questões naturais”.

Já a aposentada Edwiges Zago, 71 anos, relata que o clima pacato da cidade do Vale é diferente da realidade de Taboão da Serra (SP), onde morou por 15 anos. “Brigas? Tiros? Isso não existe. Aqui é gostoso de se viver, andar durante o dia na praça, ir à igreja. Podemos deixar dinheiro no banco da praça que ninguém mexe. Lá [Taboão] era um absurdo, não acontece isso”, comenta.

Cidades da região que estão há mais tempo sem homicídios
Santo Antônio do Pinhal: desde 2001 
Redenção da Serra: desde 2002 
Areias: desde 2009 
Bananal: desde 2009 
São José do Barreiro: desde 2010

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